O próximo relatório do Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC) vai ter especial atenção no impacte diferenciado que o aquecimento global vai ter nos países mais pobres. O quadro de cientistas das Nações Unidas reuniu-se na semana passada em Veneza para começar a pensar no quinto documento da organização, previsto para 2014.

Rajendra Pachauri, o economista que lidera o IPCC, alertou que em África não existe poder científico suficiente para realizar previsões sobre o que as alterações climáticas vão causar no continente. “É de importância urgente capacitar a África para se tornar apta para medir o impacto das alterações climáticas”, disse o especialista ontem em Nova Iorque.

Parte do dinheiro que o IPCC recebeu com o Nobel da Paz de 2007, foi posto num fundo para ajudar os países mais pobres a prever e a prepararem-se para as consequências. O economista frisou que o rascunho do quinto relatório que está marcado para sair em 2013, vai concentrar-se tanto nas adaptações como nas mitigações que os países poderão desenvolver, ao mesmo tempo que o mundo começa a viver o aumento das temperaturas.

Pachauri ficou agradado com a decisão dos países industrializados de porem o tecto de aumento de temperatura em dois graus, durante a última reunião do G8. No entanto, os países também deveriam definir 2015 como prazo máximo para o pico das emissões dos gases responsáveis pelo efeito de estufa, a partir do qual, as emissões deveriam descer rapidamente, como recomendou o IPCC.

“Eles deviam ter dito categoricamente que por volta de 2020 iriam implementar cortes fortes nas emissões. Por isso existem várias lacunas que são bastante óbvias”, referiu. “Chegou a altura da comunidade internacional tomar acções. Há uma frustração devido ao atraso entre o que se sabe [sobre as alterações climáticas] e a acção baseada nesse conhecimento.”

As condições climáticas extremas também farão parte dos tópicos abordados no próximo relatório do IPCC.
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