É frequente o aparecimento de dor (algia) lombar (parte inferior das costas) no caso particular da gestante. Estima-se que cerca de metade das mulheres grávidas sofrem de lombalgia num determinado momento da gravidez, podendo mesmo ser incapacitante para a realização normal das suas actividades diárias.

Desta forma, a dor lombar pode ser considerada como uma das principais causas que pode levar ao absentismo do trabalho durante a gravidez.

Definição

A lombalgia, enquanto sintoma, que surge durante a gravidez ou até 3 semanas após o parto, cuja causa não pode ser apurada, define-se como dor pélvica periparto.

Causa da dor

A etiologia da dor prende-se, provavelmente, com um conjunto de alterações mecânicas, metabólicas, circulatórias e psicológicas.
Não dependem exclusivamente de alterações mecânicas, e a demonstrá-lo podemos referir que 1/3 das mulheres que sofre de lombalgia na gestação desenvolve o sintoma logo no 1º trimestre, altura em que não é de crer que o reduzido peso adicional e alteração da postura tenham preponderância.
De facto, a lombalgia na grávida é considerada uma patologia multifactorial.

As alterações hormonais vividas neste período condicionam uma maior laxidão ligamentar, especialmente, nas articulações da região pélvica, que juntamente com as alterações do fluxo circulatório para a musculatura do pavimento pélvico, podem contribuir para a sensação dolorosa.
Estas dores são mais significativas, quando a mulher já referenciava a existência de dores lombares antes de engravidar geralmente associadas à síndrome pré-menstrual.

Localização

Anatomicamente a dor é mais típica nos seguintes locais: sínfise púbica (77%), virilha (53%), articulações sacroilíacas (42%) e cóccix (33%).

Características

A dor lombar geralmente é de moderada intensidade e curta duração, mas também pode persistir durante toda a gravidez.

Para além disso, as lombalgias também podem estar presentes após o nascimento, interferindo nas actividades diárias da mãe e nos cuidados ao bebé. Um estudo indicou uma incidência de mulheres com sintomatologia residual de lombalgia após 6 anos do nascimento de 20%; enquanto que noutro estudo é relatado que apenas cerca de 7% de mulheres permanecem com dor num pós-parto de 18 meses.

Tratamento

Nas classes de preparação para o nascimento, é efectuada alguma prevenção através do fornecimento de informação. Mantle et al. tentaram medir a eficácia de tal troca de informação, e concluíram que obtinha sucesso, e que os objectivos eram atingidos. As classes de pré-natal têm o objectivo de prevenir e reduzir a dor lombar durante a gravidez, através de exercícios e promovendo uma boa postura.
Assim, em termos de prevenção, deve-se instruir as gestantes para evitarem carregar pesos excessivos, exercitarem a musculatura lombar, e usarem sapatos apropriados (sem salto alto).
No caso de aparecimento destas dores temos ao nosso dispor algumas armas terapêuticas: utilização de cintura elástica de contenção abdominal, medicação, manipulação por massagem, repouso e exercício específico, disponível em alguns cursos de preparação prénatal.
No estudo efectuado são propostos exercícios de alongamento global como forma de intervenção perante as lombalgias durante a gravidez. Foram acompanhadas cerca de 99 gestantes com o diagnóstico de lombalgia, com características semelhantes. A maioria das mulheres submetidas referiu diminuição ou alívio da dor após a execução deste tipo de exercícios. Para além disto, também se verificou o aumento da consciência corporal, o que proporcionou a realização das actividades da vida diária com posturas adequadas.