Se está grávida, é normal que tenha algumas dificuldades em adormecer. E mesmo quando adormece, é também normal que raramente consiga um sono profundo e sem interrupções. Esta situação pode ter várias origens...

* Vontade constante de urinar
* Cãibras nas pernas
* Exercício físico antes de deitar
* Desconforto ao deitar
* Náuseas e azia
* A apneia do sono
* Insónia


Vontade constante de urinar

Pouco depois de engravidar, é natural que comece a sentir uma vontade de urinar quase constante, mesmo durante a noite. Isto acontece porque o seu útero está a aumentar de tamanho e exerce pressão sobre a bexiga. Para além disso, é natural que o seu consumo de líquidos aumente, aumentando assim a quantidade de fluídos no seu corpo, o que provoca vontade de urinar.

Contudo, a partir do 4º mês de gestação, o útero sobe para o abdómen e diminui a pressão sobre a bexiga. Terá, portanto, tendência a sentir menos vontade de urinar. No entanto, a partir do 6º mês e em especial no último mês de gestação, é natural que regressem as idas frequentes à casa de banho. É nesta altura que bebé desce para a zona pélvica, fazendo novamente aumentar a pressão sobre a bexiga.

Portanto, e para que as idas à casa de banho não sejam mais um problema para o seu sono, o melhor será ingerir menos líquidos a partir do final da tarde e mais durante o dia. E na altura em que for urinar, procure fazê-lo inclinando-se para a frente, pois essa posição permite esvaziar completamente a bexiga.

Cãibras nas pernas


É natural que, durante a gravidez, se depare com sintomas de fadiga muscular. Em especial durante o segundo e terceiro trimestre, os seus músculos vão ter de suportar mais peso, e de forma crescente. Por isso, as suas pernas podem ressentir-se, e as dores podem ser suficientes para prejudicar o seu sono.

Mas a fadiga muscular pode não ser a única razão das dores e cãibras nas pernas. Os seus níveis de cálcio, potássio e fósforo, caso estejam desequilibrados, podem provocar espasmos musculares e, para além disso, existe a hipótese de o crescimento do útero resultar em pressão nos nervos que vão do tronco até às pernas.

Para que não se depare com este tipo de dores e cãibras, procure evitar estar muito tempo sentada com as pernas cruzadas. Sempre que se sentar nesta posição, tente rodar os tornozelos e mexer os dedos dos pés. Também é conveniente que, antes de se deitar, estique várias vezes os músculos da barriga das pernas.

Mas, acima de tudo, não deve deixar de consultar o médico para saber a origem das suas dores, em especial se são dores constantes ou se sofre também de inchaço nas pernas. Ainda que raramente, a futura mãe pode correr o risco de desenvolver coágulos sanguíneos.

Exercício físico antes de deitar


Praticar exercícios físico durante a gravidez é saudável, e pode ajudá-la a dormir melhor. Porém, deve evitar exercitar-se pouco tempo antes de dormir, pois o exercício pode fazer com que se sinta revigorada e, naturalmente, sem sono. O ideal seria estabelecer uma distância de cerca de 4 horas entre o exercício e a hora de dormir.

Desconforto ao deitar

A dificuldade em encontrar uma posição confortável para dormir é um problema comum à maioria das futuras mães. E é claro que isto resulta numa maior dificuldade em adormecer.

Durante o primeiro trimestre, a sensibilidade dos seios e o progressivo crescimento da barriga faz com que seja impossível dormir deitada de bruços. Por outro lado, também não deve dormir de costas e de barriga para cima, pois todo o peso do útero recai sobre as costas, intestinos e veia cava, aumentando o risco de vir a sofrer de dores nas costas, hemorróidas, má digestão ou mesmo baixa pressão arterial.

Para diminuir o desconforto na hora de dormir, o ideal é que se habitue, desde o primeiro trimestre, a deitar-se sobre o lado esquerdo. Esta posição promove a actividade renal e o fluxo de sangue com nutrientes para a placenta. Pode ainda, de modo a sentir-se mais confortável, colocar almofadas entre as pernas, debaixo da barriga e atrás das costas.

Náuseas e azia


As náuseas – ou os famosos enjoos – podem verificar-se durante todo o dia e, muitas vezes, prolongam-se pela noite, impedindo que adormeça ou mesmo fazendo com que acorde de um sono profundo.

As náuseas verificam-se devido às modificações pelas quais a mulher passa durante a gravidez, que vão desde aos altos níveis de estrogénio, ao excesso de ácidos no estômago. A partir do terceiro mês, as nauseas costumam desaparecer, mas os enjoos podem “ ir e vir ” ao longo da gravidez.
Existem várias formas de combater estes incómodos enjoos, tais como aumentar o número de refeições, diminuindo a quantidade de comida ingerida de cada vez, para além de evitar alimentos picantes, ácidos, fritos ou gordurosos. O “ginger-ale” e o chá de gengibre podem também contribuir para atenuar os enjoos.

Mas para além das náuseas, é também natural que venha a queixar-se de azia, causada pelas mudanças físicas e hormonais que ocorrem no seu corpo durante a gravidez.

É causada pelas mudanças físicas e hormonais que se verificam no corpo da mulher. Durante a gravidez, a placenta produz progesterona, hormona que também relaxa a válvula que separa o esófago do estômago, o que permite a subida dos ácidos gástricos, o que causa a azia. No final da gravidez, o bebé está cada vez maior, o útero acompanha o crescimento e, em consequência, aperta o espaço destinado ao estômago.

As soluções para este problema passam também por fazer mais refeições, consumindo menores quantidades de alimentos em cada uma, e evitar comidas picantes, assim como chocolates, café e citrinos. Se, mesmo assim, a azia persistir, o melhor será consultar o seu médico. Lembre-se de que não deve tomar nada que não seja receitado por um profissional, nem mesmo um mero anti-ácido.

A apneia do sono

A apneia do sono é uma desordem respiratória que se caracteriza pelo ressonar muito alto e por paragens de respiração durante o sono. É claro que estas situações podem fazer com que por vezes acorde sobressaltada e a arfar. Contudo, é normal que quem sofre desta doença não se recorde de como passou a noite, apesar de acordar bastante cansada.

Durante um ataque de apneia do sono, e uma vez que as vias respiratórias estão temporariamente fechadas, o coração tem fazer um esforço suplementar para manter as funções da mãe e do bebé a funcionar normalmente. Para além disso, os níveis de oxigénio que chegam ao cérebro da mãe são mais baixos, assim como também é mais reduzida a quantidade de oxigénio que chega ao cérebro do bebé, e isto pode ser prejudicial.

A apneia do sono necessita de tratamento médico e, em alguns casos, implica a submissão a uma pequena cirurgia. No entanto, o facto de ressonar não significa necessariamente que sofre de apneia. É normal que, durante a gravidez, o aumento de progesterona provoque o inchaço dos tecidos moles nasais e obstrua parcialmente as vias respiratórias, criando dificuldades em respirar. No entanto, regra geral, estas dificuldades desaparecem após o parto.

Insónia

Antes de mais nada, é importante que saiba que cerca de 78% das grávidas sofrem de insónia, isto é, são incapazes de adormecer ou de dormir de forma repousante. Portanto é mais do que natural que venha a ter este problema durante a sua gravidez. A insónia que geralmente afecta as grávidas resulta, na maioria das vezes, de todas as situações que já descrevemos, portanto o melhor será procurar combater essas causas antes de tentar eliminar a insónia por si só.

De qualquer forma, tomar um banho morno antes de se deitar, receber uma massagem ou recorrer a uma técnica de relaxamento são algumas formas eficazes de garantir uma boa noite de sono. Se, mesmo assim, a sua insónia persistir, o melhor será consultar o seu médico, pois ele certamente saberá aconselhá-la.