Um indivíduo a cumprir pena por tentar matar a mulher fugiu da prisão de Custóias, Matosinhos, no carro de um guarda, aproveitando o facto de estar a lavá-lo. Abandonou a viatura na ponte do Freixo, no Porto. E desapareceu.

Admite-se até a hipótese de o homem ter-se atirado ao rio Douro, mas não há confirmação. Uma testemunha disse às autoridades que viu alguém lançar-se do tabuleiro. Os mergulhadores dos Sapadores do Porto foram mobilizados para o local, realizando buscas que resultaram infrutíferas.

À hora de fecho desta edição, as autoridades continuavam à procura do indivíduo, de 54 anos, desde 2006 a cumprir pena de cinco anos e nove meses por violência doméstica e tentativa de homicídio da mulher.

Fontes do meio prisional assumiram, ao JN, o receio de que o recluso - que possui registo de psiquiatria complicado, incluindo tentativa de suicídio - tenha ido à procura da mulher, que trabalha na zona do Bonfim, Porto. Apesar dos antecedentes de violência, o recluso era visitado pela vítima.

De acordo com informações recolhidas, o recluso, natural do Porto e residente em Rio Tinto, evadiu-se por volta do meio-dia de ontem, usando a carrinha Skoda de um guarda prisional. Ao que apurou o JN, o guarda pediu ao preso para lhe lavar o carro, tarefa que este aproveitou para furtar a chave e fugir com a viatura.

Os contornos da evasão estão a ser averiguados pela Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, designadamente como foi possível um recluso passar a segurança dos portões da cadeia. O evadido gozava de confiança atribuída pela Direcção. Estava sujeito a regime aberto virado para o interior e trabalhava no refeitório.

Só que, apesar do quadro psiquiátrico complexo, não era alvo de especial vigilância e movimentava-se com à-vontade nas instalações da cadeia. A prova é que tinha acesso à cozinha, local sensível no que toca a objectos perigosos e à segurança alimentar.

Na queixa que apresentou na PSP do Porto relativamente ao furto, o guarda prisional alegou que o recluso foi buscar a chave da carrinha ao bolso de uma bata que estava num gabinete. Em seguida, dirigiu-se para a viatura, estacionada no parque da cadeia, e fugiu.

Após escapar-se de Custóias, o evadido terá feito o percurso Matosinhos-Porto com o objectivo de parar na zona de Campanhã/Bonfim, a fim de ir ter com a mulher com quem teve problemas. Mas ter-se-á enganado no caminho, pelo que saiu em Gaia e voltou a circular em direcção ao Porto.
Por motivos desconhecidos, acabaria por abandonar a carrinha do guarda a meio da ponte do Freixo, na faixa da direita. Cerca das 13 horas, a viatura parada acabou por dar origem a um acidente, envolvendo um agente da PSP. E o recluso já tinha desaparecido. Pouco antes do embate, alguém ligara à Polícia a dizer ter visto um vulto atirar-se da ponte

A colisão poderá ter resultado do facto de um veículo, que seguia à frente da moto policial, ter mudado de direcção à última hora, para desviar-se do carro abandonado. O agente não se apercebeu da carrinha e não evitou o embate.
O polícia acidentado, de 41 anos e afecto à Escola Segura, ficou com escoriações e foi transportado para o Hospital de S. João, Porto.
JN