Os verdadeiros custos da adaptação aos impactos das alterações climáticas são duas a três vezes superiores às estimativas da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, alertou um estudo britânico do International Institute for Environment and Development (IIED) e do Grantham Institute for Climate Change, no Imperial College London publicado na semana passada.

As Nações Unidas estimaram os custos globais anuais da adaptação às alterações climáticas em entre 40 e 170 mil milhões de dólares (27,9 ou 118 mil milhões de euros), ou seja, o custo de cerca de três Jogos Olímpicos por ano.

Mas o estudo "Assessing the costs of adaptation to climate change", coordenado por Martin Parry, chegou a outros números. “As estimativas anteriores relativas à adaptação compreenderam mal a escala dos fundos que são necessários”, disse o especialista. Tudo porque, lamenta, aquelas estimativas foram feitas demasiado depressa e não incluíram sectores cruciais, como a energia, exploração mineira, turismo, ecossistemas, retalho e produção. Além disso, alguns dos sectores estudados pela ONU só foram parcialmente abrangidos.

O estudo – revisto por sete dos maiores especialistas mundiais em adaptação climática e analisado por cem peritos antes de ser publicado - conclui, por exemplo, que os custos da adaptação às inundações costeiras serão três vezes maiores aos previstos. E deixou de fora o custo da transferência de água entre regiões, dentro dos países.

“Se olharmos com maior detalhe para os sectores que a ONU estudou, consideramos que os custos serão entre duas a três vezes superiores. E quando incluirmos os sectores que a ONU deixou de fora, os verdadeiros custos serão, provavelmente muito maiores”, alertou Parry, co-responsável entre 2002 e 2008 pelo grupo de trabalho sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas).

Outro exemplo apontado no estudo é que a ONU não levou em conta os custos da adaptação na área da Saúde nos países desenvolvidos e só olhou para a malária, diarreia e mal nutrição. “Isto cobre apenas 30 a 50 por cento do peso global das doenças”, escrevem os autores do estudo.

Parry alerta que esta subestimar dos custos ameaça enfraquecer o resultado das negociações climáticas que culminam em Dezembro numa conferência em Copenhaga. Daqui deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

“A quantidade de dinheiro na mesa em Copenhaga é um dos principais factores que vai determinar se conseguimos, ou não, chegar a um acordo”, comentou Parry, em comunicado.

“As finanças são a chave que vai desbloquear as negociações em Copenhaga. Mas se os governos estão a trabalhar com base em números errados, podemos acabar com um acordo falso que não conseguirá cobrir os custos da adaptação às alterações climáticas”, comentou Camilla Toulmin, directora do International Institute for Environment and Development.

Os países em desenvolvimento estão a fazer depender o seu compromisso com o esforço climático da ajuda financeira que os países mais ricos estiverem dispostos a oferecer.
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