O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou ontem que os líderes mundiais têm apenas dez dias de negociações para chegar a consenso sobre o plano que vai substituir o Protocolo de Quioto contra as alterações climáticas, que expira em 2012. O responsável incitou os governos a não se esconderem por detrás de problemas internos.

As Nações Unidas esperam conseguir um consenso entre os 190 governos, cujos líderes se vão reunir de 7 a 18 de Dezembro em Copenhaga, Dinamarca, para finalizar o futuro acordo climático global.

“Só temos dez dias de negociação até Copenhaga”, lembrou Ban Ki-moon. Actualmente estão a decorrer negociações em Banguecoque (de 28 de Setembro a 9 de Outubro) e estão marcadas novas reuniões para os dias de 2 a 6 de Novembro, em Barcelona.

“Em dez dias temos que decidir o que precisamos fazer pelo nosso futuro”, comentou o secretário-geral da ONU num discurso proferido na Universidade de Copenhaga. “Ainda não o conseguimos. Ainda há muito para fazer e muito pouco tempo”.

Ban revelou que ainda está a ser considerada uma proposta para a realização de uma conferência suplementar em Novembro, dedicada à questão do financiamento do protocolo. “Vejo valor e importância em termos esse tipo de esforço, mas precisamos de ver primeiro como aquilo que as negociações de Banguecoque vão conseguir”, considerou.

Ban comentou que a responsabilidade de fechar um acordo está nas mãos dos governos, sendo que todos eles enfrentam desafios internos. “Agora não é altura de olhar para desafios internos. Precisamos olhar para os desafios globais que terão impacto em todo o mundo”, incitou o sul-coreano.

Para Ban, o sucesso depende dos Estados Unidos, apesar de ter reconhecido que o Presidente Barack Obama poderá ter dificuldades em fazer aprovar a sua legislação climática a tempo da cimeira de Copenhaga. “Mas isso não deve servir de desculpa para os Estados Unidos não fazerem nada”. “É um facto que sem a participação dos Estados Unidos, este acordo não poderá ser feito”.

Na sexta-feira, a conselheira da Casa Branca para as questões da Energia, Carol Browner, comentou que os Estados Unidos não vão conseguir ter a legislação pronta a tempo de Copenhaga, noticiou a Bloomberg. “Penso que todos estamos de acordo em que a probabilidade de termos uma legislação assinada pelo Presidente a tempo de Dezembro é improvável”, considerou.
publico