PSP: Prisões por furto em viaturas e agressões levam à subida
Detenções sobem 33,1% em Lisboa


O Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP efectuou 6192 detenções no 1º semestre de 2009, uma subida de 33,1% face a igual período do ano transacto (4652 detidos). A Divisão de Trânsito (DT) de Lisboa foi a que mais contribuiu para a subida, com um aumento de 135% de detenções face ao período homólogo de 2008.

Os dados constam de um relatório interno do Cometlis, a que o CM teve acesso. O documento é o primeiro a reflectir as mudanças territoriais ocorridas na unidade entre o final de 2007 e o princípio deste ano, com a incorporação de áreas até aí patrulhadas pela GNR.

Apesar do aumento de área e dos efectivos serem os mesmos, as patrulhas da PSP de Lisboa conseguiram aumentar os flagrantes em crimes como o furto em interior de viaturas. As agressões e os crimes de violência doméstica contribuíram também para a subida de 33,1% nas detenções.

O relatório dá especial destaque à DT. No primeiro semestre de 2009 foram presas 672 pessoas, um aumento de 135% face às 285 prisões de 2008. Fonte oficial negou, no entanto, ao CM, que a PSP use as detenções por crimes como a condução com taxa-crime de álcool no sangue, ou sem carta, “apenas para reforçar as estatísticas”.

PORMENORES

SUBIDA EM LOURES

A Divisão da PSP de Loures foi, das 16 que integram o Comando de Lisboa, a segunda com maior subida de detenções. No primeiro semestre de 2009, foram presas 866 pessoas, mais 62,5% (533 detidos) que no período homólogo de 2008.

SEGURANÇA PRIVADA

As estatísticas do Comando de Lisboa passaram, desde o início de 2009, a reflectir a actividade do Núcleo de Segurança Privada. No primeiro semestre deste ano, 69 pessoas foram presas por infracções detectadas em estabelecimentos de diversão nocturna.

NOVA LEI DAS ARMAS TROUXE OPERAÇÕES DE PREVENÇÃO

As alterações introduzidas à nova lei das armas, aprovada em 2007, deram aos órgãos de polícia criminal, PSP incluída, a possibilidade de efectuarem operações de prevenção criminal, com o intuito de detectar armas ou explosivos. A rusga realizada anteontem no Prior Velho, Loures, foi um exemplo disso, com a PSP a mobilizar 120 agentes, que cercaram o bairro de barracas da Quinta da Serra.

Apesar de não quererem ligar os resultados operacionais destas "acções musculadas" ao aumento do número de detidos, na primeira metade deste ano, pelo Comando de Lisboa, várias fontes oficiais ouvidas pelo CM referiram que as operações de prevenção criminal "direccionaram mais a acção da PSP, ajudando a que se pudesse identificar suspeitos, detê-los e levá-los a tribunal".

DISCURSO DIRECTO

"MAIS ESFORÇO DOS POLÍCIAS", Paulo Rodrigues, Presidente da ASPP/PSP

Correio da Manhã – Como explica a subida das detenções no Comando de Lisboa?

Paulo Rodrigues – Houve mais esforço dos polícias, na realização de operações de prevenção criminal em vários pontos do Comando de Lisboa.

– Na vertente operacional, o que foi feito para justificar estas mudanças?

– Acreditamos que foram adoptadas novas estratégias para combater o crime, em especial depois do pico de violência de 2008.

– E que estratégias foram essas?

– A PSP foi obrigada a planear melhor o futuro, preparando operações cirúrgicas, e apostando no reforço de patrulhamento.


Fonte correio da manhã