A Federação Portuguesa Tuning em colaboração com a organização do Maxi Tuning Show agendou uma sessão de esclarecimento para esclarecer sobre algum do trabalho que a Federação tem vindo a realizar, fazendo um ponto de situação dos trabalhos. Também serviu esta sessão para se falar do tuning em geral. Estava prevista a presença do Secretário de Estado, estando este comprometido com a sua presença, mas o sucesso da campanha da selecção Nacional no Mundial fez com que os planos fossem alterados e não se contou com a sua presença. Apesar da conferência não constar do programa e mesmo à chegada haver pouca informação, o que é certo é que foi feita pelo menos alguma divulgação na Internet. Lamenta-se por isso que estivessem apenas presentes cerca de 30 pessoas, com representantes de alguns clubes. Notou-se também a falta da imprensa, que apenas se fez representar por elementos de 3 websites. A federação iniciou a sua intervenção por referir que dificilmente os elementos que constituem a direcção da FPT conseguirão alguma coisa sozinhos. É preciso união entre os tuners e o envolvimento de todos. A FPT assumiu-se como um colaborador ou uma entidade que trabalha em prol de todos. Foi nomeado o Sr Rui Canelhas para representar e estar mais activo em Lisboa, uma vez que a sede da FPT é mais a norte. Neste sentido espera-se uma maior proximidade para a resolução de alguns problemas junto das entidades envolvidas.
Há cerca de um mês e meio, a FPT teve uma reunião com o Secretário de estado e foi feita uma abordagem a uma série de problemas que afectam o tuning. Neste sentido iniciou-se a elaboração de um regulamento que estivesse muito próximo de outro já em vigor em outro país da Europa. Foi assim adoptado um modelo idêntico ao regulamento Espanhol, por se achar que a realidade dos nossos vizinhos é a mais próxima da nossa. Este regulamento prevê que uma simples inspecção num centro de inspecções possa servir para um averbamento das alterações funcionais. Todas as alterações, quer sejam funcionais ou estruturais terão que ser averbadas em livrete. Foi dada alguma ênfase a distinção entre alterações funcionais, que engloba normalmente as alterações estéticas do exterior e interior do carro, e as estruturais, como seja a alteração das jantes, suspensão, alargamentos, travões etc. Esta previsto no novo regulamento que ambos os tipos de alterações possam ser legalizadas. Para as alterações construtivas no geral, irá ser necessário um engenheiro para assinar o termo de responsabilidade. Não esta prevista a necessidade de as marcas ou construtores automóveis terem que se pronuncias sobre as alterações. O que parece ser promissor, uma vez que os construtores costumam ser pouco favoráveis a alterações. Depois de assinado o termo de responsabilidade o documento irá ser validado pela DGV, que averba o livrete. Está a tentar-se que o regulamento englobe o maior número de alterações possíveis. Outras no entanto não estão previstas nem se prevê que o sejam como por ex a troca de um volante com airbag por um sem ele. Contrariamente ao que se possa pensar, a FTP não está contra as alterações de potencia do motor, apenas está contra (e bem) com quem usa essas alterações para fazer corridas de rua. Está também prevista uma referência a este assunto no regulamento e que em termos policiais, este comportamento seja penalizado. Se um carro legalizado for apanhado a fazer corridas de rua, a FPT propõe que o carro seja abatido (prensado), como alias já é feito em alguns países como Inglaterra. Se as pessoas querem continuar a fazer corridas na via pública devem assumir esse risco e responsabilizar-se por isso. De qualquer das formas e como foi referido, as corridas de rua ou street racing é um problema da policia e não do tuning ou da FPT.
Foi referido também que em Setembro arrancará uma campanha nos media para a credibilização do tuning, com alguns outdoors e anúncios na TV. O direito à diferença está consagrado na constituição e por isso o tuning deve ser igualmente aceite. Foi feita também uma abordagem ao número e qualidade das concentrações em Portugal. Verifica-se que estas se estão a auto regular. No ano passado havia calendarizados cerca de 80 eventos de tuning. Este ano, muitos deixaram de acontecer e outros foram cancelados. Assim para este ano são cerca de 45 apenas. O custo de entrar nas concentrações ainda é muito elevado. Será feito uma avalização das concentrações pelos participantes e será feito um tipo de top das melhores concentrações do país. Isto servirá de incentivo a que as equipas responsáveis pelas organizações se esforcem ainda mais para conseguir eventos de qualidade.
Seguindo-se à intervenção do presidente Agostinho Carvalho, o Sr Rui Canelhas iniciou a sua intervenção lamentando mais uma vez que tivesse sido fraca a afluência a uma causa tão importante para todos nós. Foi explicado que a FPT tem feito um trabalho que tem sido pouco divulgado, mas que foi também uma lufada de ar fresco no marasmo em que a problemática da legalização do tuning se encontrava. Como tuners, todos devemos estar de acordo no geral com a Federação embora possam haver discordâncias na especialidade. A Federação tem 10 meses de vida. Deram-se passos importantíssimos, com o dialogo com os organismos oficiais, criando-se assim uma margem de manobra para se poder dialogar. O Sr Rui Canelhas referiu e bem que mesmo internamente os tuners não se organizaram, sendo por isso difícil dar uma ideia para fora que seja consistente. Foi feita também referência ao pedido realizado a DGV para que indique mecanismos e requisitos que os projectos submetidos à aprovação possam ser avaliados e para o facto de existir um documento provisório para o carro poder circular enquanto é avaliado o processo de legalização. Já houve indicações telefónicas mas aguarda-se ainda a resposta oficial sobre este assunto. Uma das coisas que foi muito referida é a falta de apoio que a FPT tem tido. São cerca de 2500 associados apenas e destes mais de metade não paga as suas quotas. O peso que uma entidade como a FPT tem com 2500 quando se apresenta ao governo é diferente do que o que teria se fossem por ex 10000 ou mais associados. Por outro lado todo o envolvimento na legalização do tuning e nas despesas correntes têm custos que precisam de ser suportados. Em que estão a trabalhar mais? Falaram na legalização e na classificação de eventos. Foi referido também que apenas 1/3 dos sócios paga as suas quotas.
Depois de mais de hora e meia de esclarecimentos seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas, onde foram colocadas a FPT algumas questões pertinentes. Questionados sobre o regulamento, foi referido que estaria pronto em Setembro no aniversário da federação e que será depois entregue ao secretário de estado, para ser analisado ate ao final do ano, antecipando-o a um eventual documento emitido pela DGV. Foi referido mesmo pelo Secretario de estado que é melhor não existir nenhum documento do que existir um mau documento, daí que é melhor esperar mais algum tempo e não haver precipitações do que ter um documento que não represente ou aborde todas as alterações ou o faça de forma incorrecta. Sobre a articulação da FPT com outras entidades foi referido que há dialogo mas que poderia haver mais, e que a FPT está aberta a essas situações. Sobre as películas, caso referido por um representante de uma empresa do sector presente, foi indicado que as empresas que as aplicam terão que ser certificadas pelo fabricante. O regulamento em que se esta a trabalhar possibilita a legalização das mesmas, através da certificação das empresas que as aplicam.
Em relação à atitude de certas pessoas que frequêntam as concentrações, foi referido que ha ainda muito que aprender e que não é com as atitudes de alguns que se dará uma boa imagem do tuning ao publico em geral e a responsáveis de cargos publicos que visitam a concentração como anónimos. O mostrar as garafas de cerveja bebidas durante a concentração à volta do carro é um exemplo disso.
Referiu-se também ao facto de as autoridades terem perfeitamente identificados os locais onde se fazem corridas e muitos dos carros alterados que são divulgados nas revistas ou internet. A sessão durou mais de duas horas e mesmo com a fraca adesão foi possível abordar vários assuntos. A sessão e diálogo foi mais abrangente, mas a certa altura o meu envolvimento não permitiu registar todas as situações.
Da minha parte fica também o lamento da fraca adesão. Foram esclarecidos alguns maus entendidos que costumam acontecer com as notícias e comunicados da Federação. Quanto à campanha de credibilização do tuning, o TOL mostrou-se disponível para participar na divulgação de tal campanha através da divulgação de banners ou outro tipo de formatos que venham a ser decididos pela FTP, ajudando a alargar tal campanha a outros sites da especialidade.