O Brasil quer dar o exemplo e aceitou levar à cimeira de Copenhaga, em Dezembro, uma proposta de 40 por cento de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

“Ficou definido que o Brasil levará uma meta muito forte de redução de 40 por cento nas estimativas de emissões previstas para 2020”, disse Carlos Minc, ministro do Ambiente.

Mais concretamente, a meta brasileira será algo entre os 38 e os 42 por cento. Estes números resultaram da reunião, esta segunda-feira em São Paulo, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, onde os ministros das pastas envolvidas na elaboração da proposta brasileira para a cimeira de Copenhaga apresentaram as suas sugestões ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Metade dessa redução, voluntária e não vinculativa, resultará da diminuição da desflorestação na Amazónia e o restante de iniciativas que promovam a eficiência energética e a utilização de combustíveis alternativos, como o chamado aço verde, produzido a partir de carvão vegetal.

Ainda na semana passada, o Brasil avisou que poderia não apresentar um compromisso de redução de emissões antes da cimeira de Copenhaga. O único consenso até então era a redução da desflorestação em 80 por cento até 2020. As reacções não se fizeram esperar. Durante a conferência de Barcelona, na quinta-feira passada, as Nações Unidas apelaram ao Governo brasileiro para fechar uma meta clara antes de Copenhaga. Segundo a ONU, a estratégia climática do país já podia ser quantificada.

Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil do Brasil, Dilma Rousseff, que também participou na reunião do Fórum, explicou que aquilo "que o Brasil está a fazer é um gesto político", escreveu o jornal "The Guardian". "Ainda acreditamos que a responsabilidade pertence aos países desenvolvidos".

Na verdade, as negociações climáticas enfrentam um impasse. Os países desenvolvidos estão indecisos quanto à ajuda financeira a prestar aos países em desenvolvimento. Estes afirmam que não têm condições para colaborar, a menos que sejam apoiados pelos mais ricos. Além disso, as metas para a redução de emissões também estão longe de satisfazer. A comunidade científica defende que os países ricos devem reduzir as emissões entre 25 e 40 por cento até 2020, a níveis de 1990. Mas os compromissos actuais ficam aquém desses valores. A tomada de posição do Brasil é considerada um desafio.

Lula da Silva considerou que agora “o Governo tem em mãos a matéria-prima necessária” para que possa ser incorporada, até 14 de Novembro, na proposta que o Brasil vai levar a Copenhaga.

Resta agora saber quanto cada sector vai reduzir, como e com que recursos. A agricultura já tem um papel garantido, adiantou Minc. “Acções como a integração entre pecuária e lavoura, plantio directo e recuperação das áreas degradadas podem ajudar significativamente na redução das emissões de dióxido de carbono pelo sector da agricultura”, disse o ministro, em comunicado.

Além de números, o Brasil sentar-se-á à mesa de Copenhaga com um Fundo Clima, instrumento que vai “financiar acções contra as alterações climáticas com recursos da exploração do petróleo”, explicou ainda.

Minc garantiu que este esforço não vai comprometer o crescimento do país. “O Brasil é um dos poucos países que podem emitir menos e produzir mais”, graças aos recursos naturais que possui e às alternativas sustentáveis que podem ser originadas deles.

O ministro do Ambiente acredita que o compromisso climático vai permitir a criação de “empregos verdes”. Segundo Minc, o desenvolvimento é compatível com a preservação do ambiente e o combate ao aquecimento global. “Podemos crescer com baixo carbono”.

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas foi criado em 2000 e é presidido pelo Presidente da República e composto por doze ministros, aos quais se juntam representantes da sociedade civil.
publico