BARRAGEM DO CABRIL


Localizada no concelho da Sertã, esta massa de água alonga-se pelo leito do Zêzere no seu maior comprimento, por cerca de 60 km, quando atinge o nível de pleno armazenamento.
Construída em 1954 com o objectivo primário da produção de energia eléctrica, foi alargando a sua utilidade, oferecendo hoje outras finalidades, como o abastecimento de água ou actividades recreativas, como a pesca desportiva e a navegação de recreio.

AS ESPÉCIES PISCICOLAS

A espécie mais abundante nesta barragem é a boga, que, sendo considerada um bio-indicador da qualidade da água, nos fornece a garantia das características do elemento líquido.
Outra espécie emblemática é a carpa, que, não se evidenciando pela grande quantidade, existe em qualidade. De facto, nestas águas é relativamente comum pescar-se carpas de grandes dimensões. Talvez devido às margens despidas, as carpas, perante a abundância de bogas, que obviamente se tornam uma abundante fonte de proteínas, desenvolveram capacidades predatórias francamente fora do comum, e muitas vezes atacam toda a variedade de artificiais para achigã. O lagostim, também relativamente abundante na barragem, foi também rapidamente incluído como fonte de alimento por estas carpas. Ajustando a sua alimentação e com esta abundância de alimento, este ciprinídeo rapidamente atinge pesos consideráveis.
O achigã foi, em tempos recentes, bastante abundante nesta albufeira, actualmente encontra-se manifestamente com baixo nível de representatividade, mercê da pesca desenfreada que se mantêm e da falta de fiscalização em período de defeso. A variação do nível das águas durante a reprodução, fenómeno comum nesta albufeira, é, como se percebe, outro factor negativo para o sucesso da multiplicação das espécies. Aliás o nosso país tem ainda um longo caminho a percorrer até conseguir conciliar e tirar partido de todas as potencialidades duma massa de água.
Esporadicamente, são pescadas trutas fário, devido á população residente que sobe os rios para a reprodução, regressando depois albufeira. É possível ainda encontrar barbos nas zonas de desembocadura dos afluentes principais, bem como as omnipresentes percas-sol. Esta última espécie está regressão, como aliás em quase todas as albufeiras portuguesas.

A PESCA

A pesca a estas espécies não tem segredos particulares ou específicos para esta massa de água. As bogas são fáceis de atrair ao pesqueiro com os engodos e iscos tradicionais, exigindo no entanto montagens leves, linhas finas quanto possível e montagens discretas, devido á limpidez das águas.
Para as carpas, e se o objectivo for o carp fishing, requer-se equipamento a condizer com as dimensões habituais dos habitantes desta albufeira. Para esta espécie podemos abusar das dimensões porque, provavelmente, teremos de recorrer a toda a robustez dos materiais para os combates que se prometem.
Para os achigãs, as recomendações vão também para a naturalidade na apresentação dos iscos artificiais de finesse fishing e os lançamentos longos, de forma a não denunciarmos a nossa presença. Atendendo á diminuição da população desta espécie, é particularmente importante a consciência do critério dos exemplares pescados.

ACESSOS

O acesso á água para embarcações é feito por duas rampas localizadas a Oeste, no lado direito do paredão, considerando para tal o sentido do fluxo do rio. É recomendável a utilização da rampa mais larga a primeira, que permite com mais facilidade a manobra dos atrelados das embarcações.
Para a pesca da margem, poderá utilizar-se a margem Este da albufeira, localizada á esquerda do paredão. Possui acessos a inúmeros pesqueiros, visto que existe um estradão de terra que ladeia esta margem durante vários milímetros.
Recomenda-se cuidado na deslocação pelas margens, visto que são constituídas em boa parte por pedras soltas e aguçadas, que em caso de queda podem provocar lesões graves e estragar um dia que se espera de tranquilidade.

COMO CHEGAR

O acesso a esta albufeira faz-se em qualquer dos casos por intermédio do IC8, Pombal/Proença-a-Nova. Uma vez que o paredão desta barragem se encontra ladeado por duas povoações, Pedrogão Grande e Pedrogão Pequeno, deverá sair do IC8 para cada uma destas indicações, dependendo do sentido em que se desloca. Se for de Pombal para Proença, deverá utilizar a saída para Pedrogão Grande, onde encontrará placas de indicação da albufeira. No sentido oposto, deverá utilizar a saída de Pedrógão Pequeno, seguindo sempre em frente para passar pela povoação e depois, por cima do paredão da albufeira, virando, á direita uma centena de metros depois deste.

DETALHES DE LOCALIZAÇÃO

Distrito de Castelo Branco / Concelho da Sertã / Bacia Hidrográfica do Tejo / Linha de água: Rio Zêzere / Bacia Hidrográfica: 2340 km2 / Precipitação média anual: 1300 mm.