Arcos de Valdevez: Assaltados pela quarta vez
Casal ameaçado com caçadeira


Dormiam descansados depois de um dia de trabalho, mas os primeiros barulhos vindos das janelas do corredor fizeram com que Rosa e José estremecessem na cama. Segundos depois, um trio de encapuzados entrava de rompante no quarto do casal, de 63 e 65 anos, em Cabreiros, Arcos de Valdevez, a exigir todo o dinheiro às vítimas. Desta vez, só levaram 150 euros, no entanto, é já a quarta vez que são assaltados desde Julho do ano passado.

"Nem um pio senão dou-te um tiro na cabeça." Foi com esta abordagem que anteontem os assaltantes amedrontaram Rosa que ao vê--los gritou: "Ai Jesus, que são ladrões."

Também José tentou avançar para o grupo, mas ao ameaçar sair da cama foi de imediato travado pela frase ameaçadora: "Não te mexas senão levas uma facada."

Os assaltantes estão ainda a monte, mas a GNR de Arcos de Valdevez tem já suspeitos, até porque os ataques a casas, em aldeias isoladas do concelho, têm-se repetido com frequência. A caçadeira que usaram era propriedade do dono da casa e estava pendurada num cabide à entrada do quarto.

Rosa e José, ainda mal refeitos do susto, mudaram para outra pequena casa que têm nas imediações. "Passámos o dia todo a tremer e a chorar", disse ao CM, o casal.

"Agora nem dormimos em paz. Temos medo de que isto volte a acontecer. Ainda há 15 dias vieram aqui dois moços, mas não conseguiram fazer nada porque os vi a tempo", afirmou José Alves.

Apesar de terem remexido tudo no quarto, durante cerca de 15 minutos, os ladrões apenas encontraram 150 euros numa gaveta.

O casal tem algumas desconfianças em relação à autoria dos assaltos. A PJ de Braga também já esteve no local a recolher indícios e está a investigar.

APOSTAR MAIS NA SEGURANÇA

A casa localizada numa extremidade da aldeia de Avelar tem sido um alvo muito procurado pelos ladrões. Em seis meses, quatro visitas de assaltantes. "Parece que só têm olhos para esta casa. Não percebo porquê", afirmou José.

Procuram sobretudo dinheiro, anéis e fios em ouro, mas não enjeitaram a oportunidade de roubar o fato de motard do filho do casal, emigrado em França. A aldeia tem vinte habitantes e é um lugar isolado no meio da serra do Soajo. Para contrariar as facilidades que os ladrões têm encontrado, o casal está já a pensar em mudar as portas e colocar protecções nas janelas.

"Não os reconhecemos logo porque eles andam de cara tapada e mudam de voz, mas têm feito asneiras nas aldeias à volta", disse José.


Fonte Correio da Manhã