A China defende o ateísmo, mas ao contrário da antiga União Soviética, deixou de encarar a religião como «o ópio do povo», indicou o novo director da Administração Estatal para os Assuntos Religiosos, Wang Zuoan.
«O Partido Comunista Chinês começou a encarar a religião numa perspectiva mais positiva», disse Wang Zuoan numa entrevista publicada hoje pelo Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do PCC.

Segundo Wang Zuoan, «a antiga União Soviética e as nações do (extinto) Pacto de Varsóvia não conseguiram lidar bem com as questões religiosas».

«Isso foi uma profunda lição para a China», acrescentou.

Wang Zuoan reconheceu que «a influência da cultura ocidental na China, incluindo o cristianismo, aumentou muito» e considerou que «é normal que a religião se desenvolva durante o processo de modernização».

«O governo chinês encoraja a religião a adaptar-se à sociedade socialista e atribui um papel mais positivo à religião», disse.

Wang Zuon, 51 anos, formado em filosofia e inscrito no PCC desde 1985, assumiu o actual cargo no ano passado.O número oficial de cristãos rondará os vinte milhões, dois terços dos quais protestantes, mas segundo estimativas, serão cerca de 50 milhões – 3,7 por cento da população do país.

O budismo é a religião com mais fiéis na China, seguida do islão, que no conjunto terão cerca de 60 milhões de crentes.

«A sociedade chinesa está a tornar-se cada vez mais tolerante e as pessoas já não assediadas por seguirem uma religião», disse Wang Zuoan.

Diário Digital / Lusa