Braga: Autor do disparo acidental pode ser suspenso do externato
Escola vai castigar aluno que disparou (COM VÍDEO)


Nervoso e com os olhos postos no chão, assim estava Luís a aguardar o início da reunião com o conselho pedagógico do Externato Carvalho Araújo, em Braga. Acompanhado pelo pai, o jovem de 17 anos que anteontem atingiu acidentalmente o amigo João no peito – com a pistola do progenitor –, durante o intervalo das aulas, ia debater o castigo a aplicar pelo externato. A escola admite que Luís pode ser suspenso, mas está solidária com o jovem. "Vai ter castigo só para servir de exemplo. Sabemos que não fez por mal", contou ao CM a proprietária do externato, Maria Helena Castro.

Marcada para ontem à tarde, a reunião serviu para definir o futuro do aluno. Os resultados só serão conhecidos no espaço de cinco dias úteis, mas a prioridade é que o processo seja feito rapidamente. "O objectivo é fazer as coisas o mais depressa possível, até para ele não perder aulas", continua Maria Helena.

O corpo docente partilha a mesma opinião. "Ele é educado e calmo", revela uma professora. Enquanto Luís esperava pela reunião, alguns professores manifestavam--se solidários com ele. "A partir de agora, vai correr tudo bem, não te preocupes", comentou uma docente. E o jovem aluno, constrangido, agradeceu o apoio. O facto de Luís e João serem amigos e fazerem parte da mesma turma do 12º ano fez com que a direcção da escola encarasse este incidente como caso isolado. "Os nossos alunos não são de destruir, por isso não contava nada com o que aconteceu", diz a directora, Maria Helena Castro.

A relação entre os pais dos dois alunos não ficou abalada. "Os pais do João dizem que estão a sofrer por eles e pelos pais do Luís", revelou uma amiga da família. João ficou com uma bala alojada a dois centímetros do coração, mas está livre de perigo. Durante o dia de ontem, o adolescente saiu dos cuidados intensivos para a pediatria. "Agora só está internado por precaução. E só se preocupa com o Luís", disse.

PORMENORES

OUVIDO PELO MP

Luís, 17 anos, ficou sujeito ao termo de identidade e residência. À PJ, o rapaz entregou a arma do crime e disse que foi um acidente

CASO ISOLADO

A escola admite que o incidente foi uma brincadeira e não pensa em medidas drásticas


Vídeo Sapo


Fonte Correio da Manhã