Recoberta por um emaranhado de restinga e cercada por grandes manguezais retorcidos, a Ilha do Medo tem uma aparência aterrorizante. E lendas fantásticas e histórias verídicas se mesclam para justificar sua fama. Por causa de seu total isolamento, foi utilizada para exílio forçado de doentes de lepra no século XVII e como destino de doentes terminais de cólera na epidemia de 1855. Dezenas de vítimas, a maior parte escravos, foram enterradas em valas comuns na areia. Embora fique a menos de 4 quilômetros de Itaparica, nada nunca deu certo ali. Passada de mão em mão, ela teve todos os empreendimentos fracassados e seus proprietários terminarem falidos ou envolvidos em histórias trágicas.
Ninguém sabe exatamente quando o lugar começou a ser considerado maldito. Uma das lendas mais difundidas, porém, culpa um padre que teria se recusado a celebrar uma missa em Itaparica, mesmo tendo sido pago antecipadamente pelo serviço. Amaldiçoado pelos moradores, ele teria naufragado diante da ilha e se transformado num fantasma condenado a expiar sua heresia pela eternidade. Em certas noites, dizem que ele surge da bruma e convida os pescadores a assistir à missa que desgraçadamente não quis rezar em vida.

Fonte: bokadoinferno