O robalo é o grande caçador do nosso litoral continental, estando presente nas águas que varrem pela ondulação as longas praias arenosas com declive suave, bem como nas zonas rochosas onde a agitação do mar também produz "águas brancas", bem oxigenadas tão do agrado deste predador. Considerado um peixe extraordinário e imprevisível, o robalo alterna a voracidade com a desconfiança e o desinteresse pelos iscos e amostras o que leva a que a sua pesca seja encarada com paixão e entusiasmo, podendo esta considerar-se por vezes um verdadeiro desafio. O robalo está para o mar como o salmão está para o rio, com nobreza e dignidade idênticas, sendo o rei da nossa costa. Podemos considerar quantos se dedicam com êxito à sua pesca, detentores de conhecimento e experiência duramente adquirida, pois trata-se de um peixe talhado para a luta e a caça, não admitindo na sua pesca tibiezas, exigindo sim reflexão e conhecimento do meio marinho. É comum ouvir-se falar dos segredos que os pescadores de robalo guardam para si e para os seus mais próximos companheiros e amigos contudo, parte do que se pensa serem esses segredos, não são mais do que uma correcta utilização dos equipamentos: Canas, carretos, linhas, montagens, amostras, etc., cuja evolução tem sido grande e permanente em todas as técnicas de pesca, com Buldo ao Surf-Casting, passando obviamente pelo Spinning, que aliado à boa escolha dos locais e ao conhecimento intrínseco da espécie, podem conduzir a resultados interessantes.


Características

O robalo, Dicentrarchus labrax, (Linnaeus,1758), é um peixe esbelto e elegante, de proporções harmoniosas. Possui duas barbatanas dorsais bem separadas, que muito contribuem para tornar a sua silhueta verdadeiramente emblemática. A primeira barbatana tem entre oito e dez espinhos duros, sendo a segunda composta de um único duro e entre onze e catorze moles. A poderosa barbatana caudal está ligada ao corpo pôr um pedúnculo caudal grande. Os flancos, ligeiramente comprimidos, são de um cinzento prateado reluzente, com o abdómen esbranquiçado. A linha lateral do robalo possui entre 52 e 74 escamas. A cabeça é forte e a boca grande e armada de dentes finos e pontiagudos. Os opérculos possuem dois espinhos planos. São estes espinhos a par com a primeira barbatana dorsal, os principais responsáveis pelos ferimentos que os pescadores apresentam pôr vezes nas mãos quando procedem à desferragem do peixe. O robalo pode atingir cerca de um metro de comprimento e pouco mais de dez quilos de peso. Contudo, exemplares com pesos acima dos seis quilos vai já sendo pouco vulgar a sua captura. Tem-se verificado ainda que, de ano para ano, as capturas deste peixe têm vindo a diminuir, razão pela qual parece ser fundamental fazer um esforço para preservar a espécie, evitando, porque injustificável e pouco desportiva, a captura de juvenis e de exemplares ovados. Pensamos que a medida mínima, (36cm) de captura do robalo, se bem aceite e cumprida, pode fazer aumentar significativamente a população desta espécie. Esta nossa convicção está apoiada na idade de maturação da espécie em que se estima poder o macho reproduzir-se após quatro ou cinco anos de vida em que já terá em princípio cerca de 34cm de comprimento. As fêmeas reproduzem-se com mais de seis anos de idade e 36 cm de comprimento. A reprodução ocorre com maior probabilidade entre os meses de Novembro e Março, podendo mesmo chegar a Abril nos anos mais frios. As fêmeas pões cerca de 200 000 ovos por cada quilo de peso, que serão fecundados por mais que um macho. Os ovos são transportados pelas correntes marítimas até à sua eclosão que ocorre até uma semana após a postura. O crescimento do robalo varia com as condições que encontra, quer de temperatura das águas quer de dieta alimentar. Sabe-se que o robalo suporta temperaturas de água muito baixas, até cerca de 2°C, sobrevivendo em águas quentes da ordem dos 30°/ 32°C. Contudo parece alimentar-se só a temperaturas superiores aos 7°C. Para o seu crescimento a melhor temperatura da água é de cerca de 22°C. Este peixe suporta também com facilidade variações de salinidade da água e, pôr períodos de curta duração águas pouco oxigenadas. A distribuição geográfica do robalo circunscreve-se ao Atlântico Norte e Este, desde o Senegal até à Noruega, encontrando-se também no Mediterrâneo. É um peixe pelágico e eminentemente costeiro, podendo encontrar-se sobre todo o tipo de fundos em busca de comida. É ainda um nadador extraordinário e com grande agilidade, o que lhe permite capturar pequenos peixes como a sardinha, a galeota ou o carapau. Enquanto jovem desloca-se em cardumes com exemplares do mesmo tamanho. À medida que vai crescendo vai-se tornando mais solitário.
Os nomes porque o robalo é conhecido entre nós, são muitos e seguramente mais haverá para além dos que fomos registando. Contudo, deixamos aqui alguns dos que nos parecem mais utilizados: Robalete, robalote, cachaço, chaliço e obviamente robalo. Existe uma espécie semelhante que também frequenta a nossa costa continental, o Dicentrarchus, punctatus , (Bloch, 1972) vulgarmente pôr baila ou robalo mosqueado, assim chamado peIas manchas negras que apresenta no corpo. Trata-se com efeito de espécie muito parecida, embora de menor tamanho, raramente ultrapassando os 50 cm. Na América do Norte existe também uma espécie denominada (striped bass), robalo listado ou robalo- muge, (Roccus laxatilis), que pode alcançar os 50 Kg de peso e chegar aos 40 anos de idade. Temos notícia de que esta espécie terá sido alvo de uma tentativa de introdução em águas portuguesas, que pôr razões que desconhecemos não foi bem sucedida.


Alimentação

Podemos dizer que os hábitos alimentares do robalo são dignos de um verdadeiro gourmet. Ataca e devora cardumes de petinga (sardinha pequena), carapaus, galeota e outros peixes, incluindo as tainhas, estas quase exclusivamente atacadas pelos e exemplares de maior porte. Os moluscos como lulas, pequenos polvos e chocos, e os crustáceos, como camarões, caranguejos em geral e o caranguejo-pilado em particular, fazem parte da requintada dieta alimentar do robalo.

A pesca

O robalo é desde a Antiguidade Clássica um peixe muito apreciado, por todos os seus atributos em que se inclui o gastronómico. É sentimento praticamente generalizado que os peixes em geral estão cada vez mais desconfiados e difíceis de enganar. Ora uma vez que os predadores são talvez os peixes mais inteligentes, que usam todos os seus sentidos na detecção das presas e na decisão final de as atacar ou ignorar, é fundamental que o pescador em acção de pesca mantenha uma atitude de absoluta concentração, apresentando as amostras e iscos correctamente. No caso das amostras, é fundamental serem bem trabalhadas, com convicção e segurança, pois caso contrário perderão toda a sua atractividade, permanecendo o peixe indiferente. As técnicas de pescar o robalo são numerosas, algumas aplicáveis também a outros peixes, com a pesca à bóia, pesca com chumbadinha, surf-casting, pesca à pluma, buldo (bóia de água) e spinning. Há ainda a considerar aquilo a que podemos chamar "regionalismos", pois quase todas as zonas costeiras possuem a sua forma típica de pesca, que no entanto será em principio válida em outros locais. Na pesca em geral, e nomeadamente na do robalo, as condições meteorológicas, o estado do mar, a hora do dia, a altura das marés em função das fases da Lua, tudo é importante. Como em tudo na vida e também na pesca, é a experiência e a forma como estamos apetrechados para enfrentar as dificuldades o principal argumento para o êxito.

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