As investigações não devem parar, contudo
Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) não conclui que haja um maior risco de cancro entre as pessoas que utilizam telemóveis, recomendando, porém, que a investigação prossiga, devido ao rápido aumento do uso destes dispositivos pelos jovens.

"O estudo [Interphone] não evidencia um maior risco de cancro, mas não podemos concluir que não haja nenhum risco, porque há resultados suficientes que sugerem um risco possível", afirmou Elisabeth Cardis, investigadora principal do estudo, que foi hoje publicado e que será publicado na terça feira na revista International Journal os Epidemology.

"O estudo não nos permite concluir que haja algum relacionamento com o uso de telemóveis, mas também é prematuro dizer que não há risco nenhum", afirmou Christopher Wild, director da Agência Internacional de Investigação do Cancro da OMS, que dirigiu a investigação.

Operadoras telefónicas, por um lado, e grupos que acreditam na relação entre os telemóveis e os tumores cerebrais, por outro, esperavam há muito por uma investigação deste tipo. No entanto, os vários anos de investigação fracassaram na tentativa de estabelecer um vínculo directo.

O estudo Interphone, que se realiza desde 2000 em 13 países - Alemanha, Canadá, Austrália, Dinamarca, Finlândia, França, Israel, Itália, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido e Suécia -, pretendia apurar a existência de uma relação entre o uso de telefones móveis e o cancro do cérebro, do nervo acústico e da glândula parótida.

No entanto, os 21 investigadores que realizaram o estudo alertam que o resultado pode decorrer do facto de as pessoas não dizerem exactamente quantas horas passam ao telemóvel e destacam o aumento exponencial do uso destes aparelhos.

Fonte: Diário Digital / Lusa