O presidente do parlamento alemão, Norbert Lammert, lamentou hoje que o pacote de austeridade do governo de centro direita exclua um aumento do escalão superior do IRS, afirmando que esta medida “com certeza não prejudicaria a conjuntura”.
O pacote, apresentado na segunda feira, em Berlim, pela chanceler Angela Merkel, prevê cortes orçamentais superiores s 80 mil milhões de Euros até 2014 e tem sido fortemente contestado pela oposição e pelos sindicatos, que anunciaram já uma onda de protestos.

Mas também Lammert, destacada figura da CDU de Merkel, tem reparos aos planos de austeridade, e em entrevista ao jornal Rheinische Post disse que “teria desejado que os que têm maiores rendimentos também deem um contributo especial para o esforço conjunto da sociedade”.

Segundo os observadores políticos, a recusa de aumentar impostos, apesar da envergadura das restrições orçamentais, foi uma concessão dos democratas cristãos aos Liberais do FDP, seu parceiro de coligação.

O programa do novo governo fala mesmo na redução de impostos, mas Ângela Merkel já tinha deixado cair esta promessa, que foi a bandeira dos liberais na campanha para as legislativas, após as eleições regionais na Renânia, no mês passado.
O secretário de Estado das finanças, Steffen Kampeter, respondeu indiretamente à proposta de Lammert para aumentar o IRS sobre altos rendimentos, afirmando que a consolidação orçamental “tem de ser conseguida sobretudo através da redução da despesa, e não do aumento da receita, para não estrangular a procura interna”.

Lammert, no entanto, não foi o único dirigente da CDU a exigir o aumento do referido escalão do IRS, proposta também pelo governador democrata cristão do Sarre, Peter Mueller, pela ala laboral da CDU, e até pela ala empresarial.

Quanto à oposição, criticou, sobretudo, os cortes no subsídio de desemprego e no rendimento mínimo garantido, acusando o governo de alargar ainda mais o fosso entre ricos e pobres e de pôr em risco a paz social na Alemanha.

sp.