Brasil: Entrevista polémica a site da oposição
Vice de Serra liga PT ao narcotráfico

Quase desconhecido nos meios políticos até há pouco, o candidato a vice-presidente de José Serra na corrida para as presidenciais de Outubro, Índio da Costa, acaba de resolver esse problema de forma explosiva. O deputado incendiou Brasília ao afirmar numa entrevista que o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula da Silva e da candidata à presidência Dilma Rousseff, tem ligações com o grupo terrorista FARC, da Colômbia, e o narcotráfico.

"Toda a gente sabe que o PT é ligado às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida alguma disso", disparou o candidato, em entrevista ao site Mobilizando o PSDB, do partido de Serra, que a tirou do ar assim que começaram a surgir reacções violentas, tanto de adversários como de aliados.

Não satisfeito, Índio da Costa virou a sua metralhadora verbal para Dilma Rousseff, a quem classificou como "uma esfinge do pau oco", e previu que a candidata do governo, cuja campanha tem à frente vários suspeitos de corrupção, de José Dirceu a António Palocci, se for eleita "vai dar um chuto" em Lula, o seu maior apoiante.

"Quem nos garante que, no dia seguinte à eleição, ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador, dá um chuto no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás?", pergunta Índio, rematando: "Se ela for eleita, o Lula volta para casa, mas o PT fica, com todos aqueles ‘Mensaleiros’. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma".

PARCEIRO DE CORRIDA IMPOSTO POR ALIADOS

Índio da Costa foi o ‘número dois’ imposto a Serra pelo seu partido, o Democrata, parceiro de coligação do Partido da Social Democracia Brasileira, depois de vários outros candidatos terem sido rejeitados pela coligação ou terem recusado candidatar-se. Costa, de 39 anos, já foi investigado por suspeita de fraude quando era secretário de Administração do Rio de Janeiro, em 2006, mas não houve conclusão nem punição. Depois de três mandatos como vereador no Rio de Janeiro, está no final do seu primeiro mandato como deputado federal, tendo sido relator da lei que proíbe a candidatura de pessoas com condenações.


Correio da Manhã