Tavira: Árbitro internacional de Andebol salva criança de morrer afogada
“Só me lembrava do meu menino”

O destino, ou o mero acaso, e ainda o sangue-frio de Gonçalo Santos salvaram da morte, por afogamento, um menino sugado pela bomba submersível de um espelho de água na praceta Diogo Corte Real, em Tavira. Foi o casual aparecimento do homem que permitiu retirar vivo da água Paulo, de nove anos, ainda que com graves ferimentos.

"Esqueci-me de que, anteontem, entrava de férias e fui trabalhar", contou ao CM Gonçalo Santos, de 27 anos, técnico de informática e árbitro internacional de andebol. "Ao passar no local, fui alertado pelos pedidos de socorro de dois miúdos. Fui ver e constatei que, dentro de água, submerso, inconsciente, estava um menino". "Meti-me dentro de água, que me chegava à cintura, e tentei, em vão, puxar por um braço a criança, que estava a ser fortemente sugada, como uma ventosa", refere o árbitro, que optou por sair da água e pedir ajuda. "Fui à vizinhança e consegui que um casal me acompanhasse", continua. "Entrámos os três na água e conseguimos agarrar a criança pela cintura e retirá-la".

Gonçalo Santos, com instruções do 112, entretanto alertado, realizou manobras de reanimação, que foram completadas, com sucesso, com a chegada da equipa do INEM. "Foram momentos de grande aflição. Só me lembrava do meu menino de ano e meio. Felizmente, pude ajudar a salvar aquela vida", afirma.

Paulo foi conduzido ao Hospital de Faro (HF), onde ficou internado. "Está a recuperar bem e a situação é estável", referiu fonte do HF.

CÂMARA MUNICIPAL GARANTE QUE VAI VERIFICAR SEGURANÇA

Jorge Botelho, presidente da Câmara de Tavira, garante que a autarquia "vai verificar as condições de segurança existentes no local".

O autarca aproveita para sensibilizar os adultos para os riscos e para que não deixem as crianças brincarem ali sem acompanhamento. "Em parceria com a PSP e a Junta de Freguesia de Santa Maria, vamos tentar uma maior vigilância no espelho de água", diz o autarca.

Maria do Rosário Araújo, tia do menino, toma conta da criança desde Maio, altura em que a mãe do jovem foi trabalhar para Itália. "O Paulo, depois do almoço, disse-me que ia para a Associação Porta Amiga, que frequenta nas horas vagas. Só depois da tragédia é que soube que levava uns calções de banho escondidos e que foi para o lago artificial brincar com os amigos", conta Rosário, que agora sofre pelo sobrinho.


Correio da Manhã