Figueira da Foz: Indústria de resinas causa receios
Perigo máximo com fábrica

A United Resins, uma empresa de resinas na Figueira da Foz, que recebeu cerca de 5,2 milhões de euros do Estado – 3,5 do IAPMEI e 1,7 do QREN-, tem sido alvo de denúncias por parte do Bloco de Esquerda (BE) e dos ambientalistas da Quercus devido à falta de licenças. O BE e a Quercus alegam que a fábrica, que deverá abrir já em Agosto, será a 'terceira mais perigosa do País' e que devia ser obrigada à licença de Seveso (prevenção de acidentes graves).

Um relatório de uma técnica, certificada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para avaliar os sistemas de gestão de segurança de estabelecimentos de nível superior de perigosidade (SGSPAG), concluiu que a unidade em questão ultrapassa oito vezes o grau permitido por lei (abaixo de um) para não ser obrigado a ter a Seveso.

Segundo o parecer, de 23 de Julho, a que o CM teve acesso, "da análise da documentação disponível considera-se que os resultados e conclusões não repercutem a realidade do estabelecimento fabril da United Resins, uma vez que não considera nem a totalidade dos produtos que devem ser considerados nem uma parte significativa da quantidade de produtos perigosos presentes".

E mesmo tendo em conta, revela o parecer, "apenas os produtos em relação aos quais existe conhecimento das suas características e enquadramento e considerando as quantidades máximas que efectivamente se podem encontrar presentes, o estabelecimento fabril da United Resins enquadra-se no limiar superior de perigosidade do regime de prevenção de acidentes graves ".

Ao que o CM apurou, o BE, que já questionou o Ministério do Ambiente sobre o assunto, tenciona divulgar amanhã o relatório no sentido de alertar para o facto de a fábrica abrir sem as devidas licenças. Recorde-se que o Ministério do Ambiente assumiu ao CM que houve discordância entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e Agência Portuguesa do Ambiente (APA) quanto à realização de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA). A primeira concluiu que não era necessário. Porém, a APA atribuiu a licença ambiental, mas apenas de um ano, quando o normal é de cinco anos. A APA diz que a licença é emitida de acordo com a informação fornecida pelo proponente e que se, em laboração, forem detectadas ilegalidades serão tomadas medidas.

António Ferreira, administrador da empresa nega as acusações, diz-se alvo de perseguição e já avisou que vai agir judicialmente.



Correio da Manhã