Dois programadores informáticos australianos, ambos cegos, desenvolveram um leitor de ecrã gratuito, que pretende facilitar o uso de computadores por invisuais e pessoas com pouca visão. A aplicação está disponível em português.
James Teh, um dos responsáveis pelo projecto (Queensland University)

O problema, explicou James Teh, um dos programadores, é que os programas deste género têm de ser comprados, fazendo com que uma pessoa invisual tenha de gastar mais dinheiro do que as restantes para usar um computador (os sistemas operativos mais populares, porém, já têm integradas funcionalidades para serem usados por pessoas com necessidades especiais de acessibilidade e há alguns outros leitores de ecrã gratuitos).

“Uma pessoa que vê tem como dado adquirido que se pode sentar a um computador e usá-lo”, observou Teh, citado num comunicado da Universidade de Queensland, na Austrália, onde estudou. Mas isso já não acontece com um invisual, notou, sublinhando ainda que é quando são estudantes e mais precisam de usar o computador que tipicamente as pessoas menos dinheiro têm para gastar – um problema com que o próprio programador se deparou.

A aplicação, chamada NonVisual Desktop Access (funciona apenas em Windows), é, para além de gratuita, de código-fonte aberto, o que significa que pode ser alterada por qualquer pessoa com os conhecimentos técnicos suficientes.

Uma voz computorizada lê as palavras à medida que o cursor passa por elas. Por exemplo, passar o cursor sobre um ficheiro faz com que leia o nome desse ficheiro. E o mesmo acontece com os menus do sistema operativo ou das diferentes aplicações que o utilizador tenha abertas.

O programa vocaliza ainda outro tipo de informação útil (é o caso do tipo de letra e a formatação de um documento de texto, bem como os erros ortográficos). O utilizador pode decidir que informação quer que lhe seja lida (por exemplo, para evitar que a leitura fluida de um texto seja interrompida pela informação sobre a formatação).

A aplicação tem também integrada uma forma de assinalar a posição do cursor, ao emitir um som progressivamente mais agudo à medida que o cursor se aproxima do topo do ecrã.

O programa pode ser armazenado e usado directamente a partir de uma pen USB, não sendo necessária a instalação no computador, o que é faz com que possa ser usado em computadores públicos, onde não seja possível instalar software, como acontece em escolas, por exemplo.

Voluntários traduziram o NonVisual Desktop Access para mais de 20 línguas, entre as quais o português (do Brasil e de Portugal). Não apenas os menus de configuração do programa podem ser usados nessas línguas, como as vozes disponíveis para leitura se adaptam a ler elementos noutras línguas que não o inglês – em português, o resultado é uma leitura perfeitamente perceptível, mesmo de textos complexos.

O projecto não tem fins lucrativos e conseguiu um apoio financeiro da Fundação Mozilla, a organização por trás do browser Firefox.


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