O novo pacote do medicamento e o combate à fraude permitem "manter o sistema de saúde em funcionamento em tempo de crise", afirmou hoje, sexta-feira, a ministra da Saúde, Ana Jorge.

A ministra da Saúde participa na reunião ministerial sectorial que reúne durante dois dias em Paris, na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), representantes de 35 países. Os ministros discutem a forma de manter a qualidade dos serviços de saúde após a crise mundial.

"É um desafio em tempo de crise continuar a garantir que as pessoas se podem tratar mas obriga-nos a reflectir e a introduzir mecanismos de maior eficiência no sistema para podermos garantir a qualidade" dos cuidados de saúde, afirmou a ministra da Saúde à Lusa.

Ana Jorge acrescentou que, "no caso de Portugal, é necessário um esforço de organização de serviços, de concentração de recursos humanos, de concentração de algumas áreas muito especializadas e que podem ser mais eficientes aumentando a capacidade de resposta".

A ministra da Saúde salientou também a importância dos "mecanismos de redução de custos", a racionalização dos meios complementares de diagnóstico e o "uso racional do medicamento".

Com o novo pacote de medicamento, explicou Ana Jorge, o cálculo feito pelo Governo ronda os 250 milhões de euros a menos em comparticipações.

"Ainda tínhamos alguns medicamentos de custo elevado, que foram reduzidos. Alterámos a comparticipação e é evidente que alguns casos terão alguma penalização para o cidadão mas analisando caso a caso pode introduzir-se alguma racionalidade nos consumos, que eram exageradas em algumas situações", defendeu a ministra da Saúde.

"Temos que fazer escolhas de qualidade e garantia mas que possam ser mais económicas, quer para os cidadãos quer para os governos que suportam o sistema nacional de saúde", referiu Ana Jorge sobre uma preocupação que dominou o primeiro dia da reunião ministerial na OCDE, na quinta feira.

Ana Jorge salientou que a contenção de custos vai ser conseguida também com o combate à fraude, uma vez que "existem abusos e usos indevidos de comparticipações, por exemplo, a que as pessoas não têm direito mas que dão ao vizinho do lado".

Segundo a ministra da Saúde, "são pequenas medidas mas que permitem, em conjunto, fortalecer o sistema e manter os serviços em funcionamento".

No Orçamento de Estado para o próximo ano, que deverá ser apresentado na próxima semana pelo Governo, a austeridade reflecte-se também na Saúde, pois "a contenção de despesas tocou a todos os ministérios", afirmou Ana Jorge.

JN