O Ministério Público de Aveiro pretende apurar se o ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino esteve envolvido nos crimes de corrupção e abuso de poder. De acordo com o Diário de Notícias, a investigação foi aberta na sequência das declarações prestadas por Ana Paula Vitorino, secretária de Estado de Mário Lino, no processo Face Oculta, nas quais revelou ter sido alvo de recados por parte do antigo governante.
A informação da abertura de um inquérito contra o antigo ministro foi divulgada, na sexta-feira, pelo jornal Sol, cujo subdirector Vítor Rainho é assistente no processo.

Segundo o despacho do procurador de Aveiro, João Marques Vidal, «importa apurar se o então ministro Mário Lino teve uma interferência no processo de reestruturação da Refer ou outro tratamento de favor, factos susceptíveis de integrar, em abstracto, os crimes de corrupção ou abuso de poder». Segundo Ana Paula Vitorino, o antigo ministro das Obras Públicas transmitiu-lhe recados cuja origem estava em dois «indivíduos» que o próprio Mário Lino qualificou de «muito importantes para o PS»: Armando Vara e Lopes Barreira.

Ambos, segundo as declarações prestadas por Ana Paula Vitorino, estavam «muito preocupados com o comportamento inflexível do presidente do Conselho de Administração da Refer Luís Pardal para com a O2», a empresa de Manuel Godinho.
A antiga secretária de Estado revelou ainda que Mário Lino lhe disse que Manuel Godinho era «amigo do PS» e que ela, como elemento do secretariado nacional socialista (órgão executivo do partido), não poderia ficar indiferente a esse facto.

Por outro lado, o MP afirma que Manuel Godinho prometeu a Armando Vara e a Lopes Barreira contrapartidas financeiras pelos contactos efectuados, assim como «donativos para o PS».

DD