Por gostar de "construir coisas", conseguiu aproximar o mundo. Criador do Facebook, Mark Zuckerberg juntou 500 milhões de pessoas num único sítio. Dizem que é o próximo Bill Gates.


Tem uma página no Facebook? No campo de pesquisa escreva Mark Zuckerberg. Na coluna da esquerda filtre os resultados: clique em "pessoas". Olhe para a primeira entrada da lista. "Nome: Mark Zuckerberg. Redes: Harvard e Facebook." Já encontrou? É ele. Ele imaginou e criou a página à qual acabou de aceder. Fez que, em dois segundos, possa descobrir e enviar uma mensagem a alguém que esteja do outro lado do Atlântico ou mesmo do outro lado do mundo.

"Muito engraçado, mas não tenho Facebook." Não tem? De certeza que conhece alguém que usa esta rede social: um irmão, filho, colega, amigo, namorado? Uma em cada 14 pessoas no mundo acede ao site que um miúdo, na altura com 19 anos, criou em 2004 no quarto de uma residência de Harvard com a ajuda de colegas de faculdade.

Se seguiu as instruções do primeiro parágrafo, já sabe quais são os principais interesses pessoais de Zuckerberg . São visíveis a todos os utilizadores. Mesmo aos que não fazem parte da lista de amigos deste jovem multimilionário. Está a pensar: "Já tinha dito que não tenho Facebook?" Tudo bem. "Minimalismo, construir coisas, partir coisas, fluxo de informação, revoluções". São estes alguns dos interesses que pode ler no perfil de "Zuck". É assim que é conhecido entre amigos o rapaz que invariavelmente usa T-shirts cinzentas, calças de ganga, é fiel aos seus chinelos Adidas e frequenta aulas de mandarim.

Se passarmos os olhos por outros gostos deste nova-iorquino de 26 anos, actualmente a viver na Califórnia, reparamos que, curiosamente, é fã de The West Wing, Os Homens do Presidente em Portugal. O argumento desta série da NBC, que retrata essencialmente o trabalho do staff de um presidente dos EUA, foi escrito por Aaron Sorkin. O mesmo homem que elaborou o guião de The Social Network, que estreia em Portugal na próxima quinta-feira com o nome A Rede Social.

O que há de curioso nisto é que Zuckerberg nunca se disponibilizou para colaborar na realização deste filme, que conta a história da criação da rede social e os processos legais em que esta esteve envolvida.

Consta, aliás, que quando soube que a sua história ia ser transportada para o grande ecrã, terá dito: " Só queria que ninguém fizesse um filme sobre mim enquanto eu estiver vivo." Sorkin tem recebido algumas críticas por supostamente não ter retratado de forma exacta os factos. O argumentista diz que nunca pretendeu fazer um documentário.

Zuckerberg aparece no filme como um caloiro de Harvard inseguro, insensível e à procura de uma maneira de entrar nos clubes de elite da universidade. O antigo estudante de ciência computacional - Zuckerberg desistiu do curso para se tornar no director executivo do Facebook - diz que o seu objectivo nunca foi esse.

Filho de uma psiquiatra e de um dentista, Mark, considerado um génio da programação, começou desde muito cedo a inventar os mais variados programas informáticos. Desde um simples software para o consultório do pai a um leitor de mp3 que percebia os gostos musicais do utilizador.

Já em Harvard, decidiu que era preciso criar uma plataforma online em que os estudantes pudessem comunicar entre si. Uma ideia reivindicada por três colegas que na altura lhe pediram ajuda para um projecto semelhante. No filme, o personagem argumenta em seu favor da seguinte forma: "Uma pessoa que constrói uma cadeira não deve dinheiro a todas as pessoas que algum dia construíram uma." Numa das cenas, dirigindo-se em tribunal aos colegas que apresentaram queixa por, alegadamente, Zuckerberg lhes ter "roubado a ideia", diz simplesmente: "Se vocês fossem os inventores do Facebook, teriam inventado o Facebook".

Quando um jornalista da revista The New Yorker lhe perguntou se é a mesma pessoa em frente a uma multidão ou quando está entre amigos, Zuckerberg limitou-se a responder sim. "Sou a mesma pessoa esquisita."

DN
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