A imprensa internacional noticia que o entendimento entre o PSD e o Governo, para viabilizar o Orçamento, permitirá ao país evitar um destino semelhante ao da Grécia e destaca o ressurgimento de tensões durante a apresentação do acordo.

O Wall Street Journal (EUA) destaca que o entendimento "após controversas semanas de intensas negociações" acontece porque as duas partes cederam em algumas das suas exigências para chegar a um acordo, que "provavelmente evita uma crise financeira e política".

O jornal mais vendido nos Estados Unidos sublinha ainda as críticas de Teixeira dos Santos quanto às exigências do PSD, e o custo que diz terem no orçamento, mas defende que o chumbo do Orçamento poderia levar à queda do Governo, e consequentemente a uma crise que muito provavelmente obrigaria Portugal a "seguir o exemplo da Grécia", pedindo ajuda à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional.

O Financial Times (EUA) destaca que o acordo, alcançado após "várias semanas de tensas negociações", é visto como um primeiro passo para evitar uma crise semelhante à da Grécia, que forçaria Portugal a recorrer ao mesmo tipo de apoio internacional.

O jornal destaca, no entanto, a tensão que ressurgiu no sábado, após a cerimonia de assinatura do protocolo ser cancelada no último momento, passando a declarações separadas, onde o ministro das Finanças "criticou o PSD por não apresentar propostas adicionais de cortes na despesa para compensar a perda de receitas" provocada pelas medidas deste acordo.

"Portugal evitou um possível colapso do Governo após os dois principais partidos terminarem no sábado um mês de impasse quanto ao orçamento do próximo ano", escreve o New York Times (EUA).

O diário norte-americano destaca que José Sócrates terá ameaçado com a demissão várias vezes, caso o orçamento não fosse aprovado na Assembleia da República, e que o acordo irá forçar o Governo a encontrar soluções alternativas para atingir a meta do défice.

A agência financeira Reuters diz também que o acordo permite evitar uma crise política e financeira, qualificando Portugal como um dos membros da zona euro mais frágeis financeiramente, após um impasse que "ameaçou deixar o país paralisado".

A agência noticiosa diz ainda que não chegar a acordo "poderia obrigar o Governo a procurar um apoio financeiro nos seus parceiros europeus, como a Grécia fez no ano passado".


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