Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, as duas centrais sindicais subscreveram em conjunto um pré-aviso de greve geral. No entanto, a avaliar pelos resultados da sondagem da Universidade Católica para o JN, o DN, a RTP e a Antena 1, a paralisação marcada para o próximo dia 24 poderá não ter uma adesão especialmente elevada.

É certo que quase 60% dos inquiridos manifestam a sua concordância quanto à adopção desta forma de luta. Contudo, este resultado dificilmente se traduzirá na atitude concreta de não ir, nesse dia, trabalhar. Por duas ordens de razões.

Primeiro, porque a convicção maioritária é de que a greve não levará o Governo a alterar as suas posições - só 18% se inclinam para admitir que haja cedências da sua parte. Em segundo lugar, o resultado que realmente importa é susceptível de desanimar qualquer dirigente sindical: nada menos de dois terços dos cidadãos consultados no âmbito do estudo de opinião assegura que não tenciona aderir à paralisação.

A indisponibilidade é, como seria de esperar, menor entre os funcionários públicos - mais directamente atingidos pelas medidas de austeridade e porventura em melhores condições para fazerem greve - do que entre os trabalhadores precários. Mais vulneráveis, só 7% dos que têm esse estatuto garantem que paralisam.

JN