Maioria dos inquiridos está contra proposta governamental, mas admite que tem de ser aprovada

Resignação é a palavra que pode definir o sentimento dos portugueses perante o Orçamento para 2011, a avaliar pela sondagem da Universidade Católica. A maioria manifesta-se contra a proposta do Governo, mas admite que deve ser aprovada pelo Parlamento.

A aparente contradição - entre a nota negativa que os inquiridos dão ao documento e a ideia de que deve ser viabilizado - encontrará explicação no facto de estarem convictos de que a situação pioraria caso a crise orçamental precipitasse uma crise política. As questões colocadas não permitem tirar esta conclusão com segurança, mas das respostas extrai-se a convicção dos portugueses de que o estado em que se encontra o país é muito grave.

Com efeito, sete em cada dez inquiridos no estudo da Universidade Católica para o JN, o DN, a RTP e a Antena 1 acreditam na inevitabilidade de aumento de impostos, a médio prazo. Solução que, naturalmente, é tudo menos popular - 84% discordam dela. O que pode espantar é que 8% exprimem concordância com o agravamento da carga fiscal, como alternativa para a recuperação económica do país.

À apreciação das opiniões expressas deve juntar-se a dos que não a manifestam. Vale a pena salientar que quase um quarto dos respondentes integra a categoria "não sabe", o que revela alheamento em relação ao problema. E acaba por corresponder ao sentido maioritário das respostas sobre o grau de informação disponível: 76% sustentam que não têm sido explicados os objectivos e a razão de ser das medidas até agora tomadas.

Um "voto" contra a proposta de orçamento tem destinatário evidente: o Governo. Porém, as propostas apresentadas pelo PSD em sede negocial (o trabalho de campo da sondagem teve lugar quando decorriam as conversações com o Governo) não convencem senão um quarto dos inquiridos. Um terço entende que não alterariam a proposta de partida e para 9% a intervenção social-democratas até pioraria a situação.

Sacrifícios mal distribuídos

A maioria identifica os aumentos do IVA e do IRS como as medidas que mais directamente os afectam - ou que são mais penalizadoras para quem por elas é atingido. Compreendem-se os valores mais baixos no que diz respeito ao corte de apoios sociais . É que oito em cada dez inquiridos não recebem qualquer apoio, pelo que serão menos sensíveis aos efeitos que neste particular as medidas têm.

Mais significativa é a constatação de que já atinge 92% a percentagem dos que entendem que os sacrifícios não estão a ser equitativamente distribuídos pela população. São hoje mais as pessoas com essa percepção do que à data da última sondagem, em Junho, quando o "pacote de austeridade" ainda não tinha sido apresentado.

JN