Conjuntura económica explica a descida acentuada, além da elevada importação de usados

O número de camiões novos vendidos em Portugal tem vindo a diminuir pelo segundo ano consecutivo. Por outro lado, verifica-se uma subida no aluguer desses veículos. A explicação avançada pelas empresas comercializadoras passa pela situação económica.

De Janeiro a Setembro as vendas de veículos pesados desceram 17,4%, em relação a 2009, um ano que já apresentou valores "anormalmente baixos", de acordo com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Para o responsável pela comercialização de veículos pesados da Volvo em Portugal, Armando Ribeiro, estes números ainda não representam o fundo: "Nas décadas de 80 e 90, entre 83 e 85 e 93 e 95, chegámos a valores mais baixos que os actuais".

A explicação avançada, quer pela Volvo, quer pela Reta (empresa do Grupo Luís Simões) é uma só: "A situação económica que estamos a atravessar".

"Com as reduções das exportações e importações e do PIB há naturalmente menos mercadorias a circular e também menos camiões nas estradas, ou com uma pior utilização dos veículos em carga transportada, por exemplo, apenas 80% do que está definido", explicou Armando Ribeiro.

Por outro lado, a questão do financiamento bancário, apontado como um problema para todos os sectores da economia, é também uma das dificuldades para este, uma vez que está "cada vez mais restritivo e mais gravoso", o que faz aumentar a "vida útil operacional dos camiões".

Para ultrapassar este problema, muitas empresas estão a optar pelo aluguer de viaturas, adiantou Paulo Caires, da Reta. O que lhes permite "a libertação de recursos financeiros para outras áreas de investimento".

A procura de aluguer tem vindo a aumentar desde 2008, "fruto não apenas de uma crise financeira previamente anunciada, mas acima de tudo por uma nova filosofia de gestão de empresários", acrescentou Paulo Caires.

Armando Ribeiro sublinha ainda outro facto: a importação de veículos pesados usados, "que no mercado têm praticamente a mesma dimensão dos novos".

São veículos importados de países como a Alemanha, França ou Holanda, com um uso intensivo e "que, ao fim de quatro ou cinco anos, são considerados obsoletos nesses países, mas atractivos para outros, como Portugal".

JN