As cartas enviadas através de correio azul entre localidades do continente não cumprem "as metas mínimas" definidas e as cartas extraviadas também estão abaixo da meta prevista, segundo a Deco Proteste.

Um estudo da Deco Proteste revela que "os CTT não atingiram os objectivos de qualidade convencionados" entre a empresa e o regulador do sector, a Anacom.

Em duas semanas, a Deco Proteste enviou mais de 10 mil cartas, trocadas entre 33 regiões, e "os resultados revelam uma demora de encaminhamento da correspondência abaixo dos objectivos e marcada por assimetrias regionais. O correio azul trocado no continente obteve os piores resultados e não cumpriu as metas mínimas", refere uma informação divulgada hoje, terça-feira, pela associação de defesa do consumidor.

"A pagar o mesmo preço, nem todas as zonas do território nacional acedem aos mesmos patamares de qualidade" aponta a Deco Proteste, acrescentando que esta situação "contraria os princípios do serviço universal".

Quanto ao tempo de entrega, 94,7% das cartas enviadas em correio normal chegaram ao destino até três dias úteis após terem sido expedidas. Mais de 10% das cartas enviadas a partir de Torres Novas, Torres Vedras e Ilha da madeira não chegaram ao destinatário nos três dias úteis seguintes, exemplificou a Deco Proteste.

Ao contrário, em Beja, Braga, Caldas da Rainha, Cartaxo, Ponta Delgada e Ilha Terceira foram "raros" os casos de atraso na recepção das cartas.

Em termos globais, no estudo da Proteste, o correio azul revelou "mais fragilidades do que o normal", com 4,2 cartas extraviadas em cada mil, enquanto no correio normal foi de 3,2 por mil.

No que respeita ao tempo de entrega do correio azul, a Proteste detectou um "desempenho muito aquém do proposto" já que 88,2% das cartas foram entregues no dia útil seguinte contra o objectivo de 94,5%, ou seja, quase 12% das cartas demoraram mais tempo que o previsto a chegar ao destino.

No ano passado, a Deco recebeu mais de 400 queixas e pedidos de esclarecimento relacionados com os correios e as reclamações mais frequentes são os atrasos na entrega e o mau atendimento nas estações.

Segundo dados da Anacom, em 2009, o tráfego postal atingiu em Portugal quase 1200 milhões de objetos e mais de 900 milhões pertenciam à área reservada, assegurada pelos CTT, e acima de 250 milhões à área liberalizada. Nos últimos cinco anos, o tráfego postal registou uma redução superior a nove por cento.

JN