O mapa eleitoral norte-americano tingiu-se de "vermelho-republicano" com conquistas amplas nas intercalares de terça-feira, suficientes para acabar com a maioria democrata na Câmara dos Representantes, mas não no Senado e para destronar o líder democrata Harry Reid.

Resultados das eleições intercalares nos EUA complicam vida de Obama
Harry Reid manteve lugar no Senado

Com uma Câmara dos Representantes novamente republicana, um Senado dividido de maioria democrata, e um presidente com poder de veto, os próximos dois anos de mandato de Barack Obama advinham-se de negociação difícil entre os dois partidos.

Com o presidente a marcar declarações apenas para quarta feira, os holofotes mediáticos incidiram esta noite sobre John Boehner, o provável próximo líder da maioria republicana na próxima legislatura, a partir de Janeiro.

"Os americanos mandaram um mensagem clara [a Obama] que é 'mude de rumo'", proclamou Boehner, prometendo a fidelidade do seu partido aos princípios de limite do governo, rigor orçamental e respeito estrito pela Constituição.

Na medida em que Obama "respeitar a vontade do povo", o partido republicano estará "disposto a trabalhar" com ele, disse.

Na noite republicana, Obama ligou a Boehner para afirmar a sua disponibilidade para "trabalhar para encontrar pontos em comum", segundo o porta-voz do líder republicano.

Perto das 2 horas de Nova Iorque (6 horas de Lisboa), os republicanos tinham assegurados 51 lugares no Senado, face a 46 republicanos.

Em duas das corridas - Colorado e Washington - os media não arriscavam ainda previsões, numa altura em que começavam a chegar resultados do Alasca.

Se a vitória no Nevada foi simbólica por o histórico líder democrata Harry Reid ter conseguido manter o seu lugar no Senado face a uma dura campanha de Sharron Angle, oriunda do Tea Party, foi depois da reeleição de Barbara Boxer na Califórnia e de Ron Wyden no Oregon que os democratas puderam realmente respirar de alívio.

Numa das corridas mais disputadas, Mark Kirk acabou por trazer para o partido republicano o lugar de senador no Illinois que pertenceu a Barack Obama, que se envolveu directamente na campanha apoiando Alexi Giannoulias.

O Tea Party viu as suas candidatas derrotadas no Nevada e Delaware, mas pode celebrar a eleição de Jim DeMint (Carolina do Sul), Marco Rubio (Florida) e Rand Paul (Kentucky).

Nas suas declarações de vitória, Paul e Rubio afirmaram que os resultados exigem uma "correcção de rumo" pela actual administração democrata.

"Tenho uma mensagem, uma mensagem do povo do Kentucky, uma mensagem a alto e bom som e sem meias palavras: viemos para tomar o governo de volta", proclamou, triunfalmente, o conservador Rand Paul.

Em entrevista à CNN mais tarde, o novo senador do Kentucky mostrou-se favorável à organização de um "caucus" (facção) do Tea Party no Congresso.

Se os democratas conseguiram manter o Senado, já na Câmara dos Representantes caíram cedo, com as projecções ao longo da noite a irem ao encontro das sondagens.

Às 2 horas de Nova Iorque, os republicanos tinham 233 lugares assegurados, mais 15 do que precisavam para formar maioria, e mais 60 do que os democratas.

Notória foi a derrota do congressista Tom Perriello na Virginia, fortemente apoiado por Barack Obama, que teve nestas eleições um referendo à sua administração.

Quanto a eleições para governos estaduais, os democratas conseguiram manter Nova Iorque, Arkansas, New Hampshire e Massachussetts.

Mas com oito corridas por apurar, apenas oito dos 37 lugares de governador não eram republicanos.

JN