A embaixada portuguesa em Atenas está hoje, quarta-feira, a funcionar normalmente, mas apenas os funcionários têm acesso às instalações, um dia depois de recebido um pacote "suspeito" que obrigou à evacuação do edifício.

Contactado pela Agência Lusa a partir de Lisboa, o embaixador Alfredo Duarte Costa disse que o "incidente ocorreu ao fim da manhã [de terça-feira], depois da entrega de um envelope endereçado ao embaixador".

O diplomata destacou que o pacote suspeito não continha explosivos.

Adiantou que era um "envelope grande, dirigido em grego ao embaixador", que levantou suspeitas por estarem a ser recebidos vários pacotes "suspeitos" noutras embaixadas em Atenas.

"Na situação que estava a ser vivida terça-feira [em Atenas], acharam por bem chamar a polícia, e com toda a razão", considerou.

"A polícia chegou cerca das 16:45 locais (14:45 em Lisboa). Cercaram o edifício, proibiram o acesso ao mesmo e, simultaneamente, procederam à evacuação de todas as pessoas que se encontravam no edifício", referiu.

Chegou de seguida uma brigada antiterrorista que procedeu à explosão controlada do envelope, verificando não conter explosivos, contou o diplomata português.

Além da embaixada de Portugal, o edifício abriga as embaixadas da Noruega e do Azerbeijão, bem como uma agência de publicidade.

Hoje, a missão diplomática portuguesa está apenas a aceitar correspondência do ministérios dos Negócios Estrangeiros português ou grego.

"Hoje, a situação está mais calma, não há sirenes nem ambulâncias como ontem [terça-feira], dia em que o trânsito estava completamente parado", e se via muita polícia e ambulâncias nas ruas de Atenas, referiu.

A comunicação grega deu grande relevo à situação, dado que em 24 horas foram encontradas quatro bombas em embaixadas, no primeiro dia, mais seis ou sete no segundo, e outras duas no aeroporto, além de pacotes com explosivos enviados para Itália e Alemanha.

No dia 17 de Novembro, é o aniversário de um massacre de estudantes no interior do Politécnico de Atenas perpetrado pela ditadura militar grega, em 1973.

Todos os anos, o mês de Novembro é extremamente agitado e com alguma violência, disse o embaixador.

"Pode haver alguma ligação com isso, mas normalmente incidentes violentos ocorrem dois ou três dias antes do dia do massacre. Bom, agora 15 dias antes, verificaram-se estes incidentes todos.. poderá não estar relacionado", concluiu.

JN