Gabinete já não tem louças sanitárias, mas Sílvia ainda trabalha de forma limitada e sem acesso à secretaria e à central

Uma funcionária dos Bombeiros Voluntários de Oleiros está, desde o início de Outubro a trabalhar numa das casas-de-banho da corporação, depois de a direcção, que a tinha despedido, ter sido obrigada a reintegrar e a indemnizar Sílvia Martins.

Já não há sinais do lavatório ou da sanita que servia de prateleira a vários dossiês, mas Sílvia Martins permanece sozinha num cubículo que já foi casa-de-banho, sem acesso à secretaria e à central, ela que também tem formação de bombeira voluntária. E as loiças sanitárias só já não fazem parte da decoração do seu insólito gabinete porque a Autoridade para as Condições de Trabalho ordenou que a direcção fizesse obras.

Ainda assim, o caso está longe de estar encerrado. José Alberto Baptista, dirigente regional do Sindicato dos Trabalhadores da Administração local, revelou ao JN que já pediu uma reunião com "carácter de urgência" à direcção dos Bombeiros Voluntários de Oleiros, para que Sílvia Martins tenha acesso à secretaria e à central, dois locais fundamentais para o desempenho das suas funções.

A situação vem denunciada num blog de bombeiros e adianta que a funcionária foi despedida depois de se ter sindicalizado. Na ocasião, a direcção terá invocado a figura de extinção do posto de trabalho para despedir Sílvia.

A funcionária recorreu aos tribunais e ganhou a acção. Não só foi reintegrada, como recebeu dois mil euros por danos morais. Contudo, no início de Outubro, foi confrontada com um novo local de trabalho: uma casa-de-banho adornada com uma secretária.

Nos primeiros dias, esteve ali, entre a sanita e o lavatório, sem trabalho atribuído e com um computador sem Internet. "Aquilo que fizemos foi logo chamar a Autoridade para as Condições de Trabalho e a direcção teve de fazer obras, mas há aspectos que estão por resolver", explica José Alberto Baptista. O sindicalista revela ainda que, na secretaria, depois da saída de Sílvia Martins, continua a trabalhar um funcionário.

O JN tentou ontem, por diversas vezes, ouvir um responsável da direcção dos Bombeiros Voluntários de Oleiros, mas ninguém se mostrou disponível para prestar quaisquer declarações.

JN