A Câmara Municipal do Porto ficou temporariamente sem os amigos do Facebook. Suspeitou de uma "tentativa de boicote” e denunciou o facto no site da autarquia, mas, segundo comenta um especialista ao JN, tudo não passa de um má interpretação dos termos de serviço: o Facebook não permite que empresas ou organismos tenham páginas de amigos.

Em comunicado, a CMP dizia que o espaço da instituição no Facebook fora "silenciado". "Surpreendentemente desactivado por desconhecidos”, refere. O caso, é dito, "apresenta contornos inéditos e inexplicáveis para os próprios gestores desta rede de comunicação mundial". Entretanto, a página já está de novo online, mas o texto publicado no site da câmara ainda não foi apagado. Ao JN, a CMP afirma que contactou o Facebook “via e-mail logo que foi detectado o desaparecimento da página”. Inicialmente, “o Facebook não conseguiu explicar o sucedido” e informou que “não iria conseguir reactivar a página”. A situação mudou esta manhã, quando o Facebook “contactou a CMP para dizer que, excepcionalmente, iam reactivar a conta temporariamente”. Ao final da tarde, a CMP corrigiu a informação, colocando um "post" na rede social a informar que iria ser criada uma nova página, que abarcará "um maior número de seguidores".

Esta página de "fãs" irá substituir a página de "amigos" que a CMP tinha na rede e que, segundo as regras do Facebook, estava em situação irregular. Lendo os Termos e Condições de serviços da rede, é possível verificar que os "perfis pessoais" são destinados a pessoas individuais e não a empresas ou instituições. Numa das primeiras alíneas, lê-se mesmo que o utilizador não pode usar “o seu perfil pessoal para fins comerciais”. Já no que diz respeito aos termos para as páginas "de fãs”, é dito que estas são "perfis especiais que só poderão ser usados para promover um negócio ou outra organização ou esforço comercial, político ou de caridade", onde se incluem "organizações não-governamentais, campanhas políticas, bandas ou celebridades". Posto isto, o que pode ter acontecido é que a CMP, como não é uma pessoa individual, violava as regras da rede ao ter um perfil. Estando a conta em situação irregular, algum dos funcionários do Facebook terá procedido à desactivação da página.


O mesmo explica o especialista em social media Hugo Almeida, que entende que “as regras são claras”: uma empresa deve ter uma página comercial (ou de ‘fãs’) e não um perfil "normal". "A CMP não é uma pessoa, é uma instituição", pelo que, ao ter um perfil, vai "contra os termos de serviço" que servem para "impedir que as empresas tenham acesso aos dados pessoais dos utilizadores". A página foi reactivada “de forma provisória", para "a CMP ter tempo de criar uma página de fãs", pois "é isso que acontece quando o Facebook é benevolente".

O JN apurou que uma situação semelhante ocorreu há algumas semanas à Universidade do Porto, que viu a sua conta de "amigos" desactivada. A situação foi, no entretanto, regularizada, encontrando-se, agora, a mesma universidade a utilizar somente a página de "fãs" que também possuía.

JN