Portugal vai falhar o objectivo europeu de reduzir em 50% o número de mortes em acidentes rodoviários entre 1990 e 2010. Para salvar mais vidas, o director-geral da Prevenção Rodoviária propõe restrições à condução por idosos e por jovens e mudanças no ensino.

Depois de no ano passado Portugal ter cumprido a meta europeia, os novos dados traem as expectativas. A explicação parece estar na nova forma de contabilizar as vítimas mortais, pois além dos óbitos registados no local ou no percurso até ao hospital, passaram a contar também os ocorridos até 30 dias.

Segundo a nova fórmula, entre Janeiro e Abril passados, morreram nos hospitais 275 pessoas; se seguíssemos a anterior, ter-se-iam registado 204 óbitos - de acordo com os dados apresentados ontem pelo presidente da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária.

Intervindo no II Congresso de Acidentes de Trabalho e Rodoviários, em Lisboa, Paulo Marques enfatizou a subida de 91%, segundo a nova fórmula, na mortalidade de peões (61 pessoas num mês contra 32 em 24 horas), de 23% na de condutores (163 contra 133) e de 31% entre passageiros (51 contra 39).

Reconhecendo que Portugal vai falhar o objectivo de redução da mortalidade, o dirigente assinalou os progressos desde 1995, quando as suas taxas estavam 105% acima da média europeia, mas recordou que os números nacionais são o dobro dos registados nos países com sinistralidade mais reduzida, como o Reino Unido e a Holanda.

Na Holanda, as regras são cumpridas de forma mais severa, anotou o director-geral da Prevenção Rodoviária, José Trigoso. Por exemplo, enquanto em Portugal são levantados cerca de 300 mil autos por excesso de velocidade, naquele país registram-se nove milhões, pois a tolerância é de apenas três ou cinco quilómetros por hora.

Para Trigoso, é necessário reformar o ensino (as pessoas vão para as escolas para "tirar a carta e não para aprender a conduzir", disse) e restringir a condução, já que estudos mostram que os condutores idosos sofrem mais acidentes quando guiam sozinhos, ao contrário do que se passa com os mais novos (18-20 anos).

Para os jovens, advogou o dirigente, sem aprofundar as propostas, deveria ser proibida, no primeiro ano de habilitação, a condução aos fins-de-semana ou quando acompanhados por apenas uma pessoa da mesma idade.

JN