As "adaptações" introduzidas na norma dos cortes salariais, relativa aos trabalhadores das empresas públicas, voltou à discussão no Parlamento com a oposição a acusar o Governo de tentar "uma desavergonhada manobra de últimas hora" para demover os trabalhadores da greve.


"Esta desavergonhada manobra de última hora que ontem [terça-feira] o PS e o Governo tentaram, fazendo crer aos trabalhadores do Sector Empresarial do Estado que afinal os seus salários já não seriam reduzidos", acusou o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares.

O deputado comunista acusou o Governo de fazer aprovar "medidas falsas" e que, na sua opinião, como a greve geral hoje demonstra, "a política do Governo vai ser derrotada".

Por sua vez, o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza, considerou esta decisão como "uma manobra de recorte extraordinariamente duvidoso", afirmando que "é por estas aldrabices que faz todo o sentido que em Portugal se faça hoje uma histórica greve geral".

O deputado considerou que esta greve geral é uma "resposta da democracia a manobras desta envergadura".

O ministro dos Assuntos Parlamentares voltou a sublinhar por sua vez que "nenhum regime de excepção foi criado", mas que se trata apenas de "reconhecer as especificidades de certas empresas" e que, no caso dos órgão sociais, "o corte salarial se aplicará nos exactos termos para todos os outros dirigentes".

José Manuel Pureza respondeu por sua vez afirmando que a intervenção do ministro apenas "juntou nevoeiro" à discussão e que confirmou que "vai realmente haver um regime de exceção para algumas empresas públicas".

Bernardino Soares, do PCP, foi mais longe, e acusou mesmo o Governo de ter tentado enganar os trabalhadores. "O Governo quis enganar estes trabalhadores porque hoje havia uma greve geral", acusou.

JN