A internet é cada vez mais um meio escolhido pelos portugueses para fazer as suas compras. No final de 2010, dois milhões de internautas nacionais terão adquirido 3,2 mil milhões de euros em bens e serviços através do seu computador pessoal, um aumento de 23% face a 2009.


"A compra através da internet tem evoluído bastante nos últimos anos. A taxa de penetração da internet em Portugal já ultrapassa os 50% da população portuguesa e, destes, cerca de 20% [o triplo do que o que se verificava em 2005] já utiliza regularmente as compras 'online' através do seu computador pessoal", disse o presidente da Associação do Comércio Electrónico e Publicidade Interactiva (ACEPI), Alexandre Nilo Fonseca.

Em 2005, o número de portugueses que compravam regularmente na internet representava cerca de 7% e em 2009 era cerca de 16%. Em 2015, as vendas 'online' representarão cerca de 5,9 mil milhões de euros, o que corresponde a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os hábitos dos portugueses têm vindo a mudar e apesar de no 'top' das vendas se manterem os livros, discos, informática e telemóveis, o vestuário e a alimentação têm crescido bastante, segundo presidente da ACEPI.

Contudo, o grande destaque, para Alexandre Nilo Fonseca, é o aumento da compra de serviços 'online', na área da bilhética para espectáculos, transportes, como os comboios e aviões, ou seja, todo um conjunto de serviços que não estavam disponíveis e hoje começam a ter um peso significativo.

Em evolução estão também os 'sites' portugueses a conquistar cada vez mais espaço aos estrangeiros. "Hoje os portugueses já compram mais em 'sites' portugueses do que em estrangeiros. É uma tendência que se veio invertendo ao longo dos últimos anos, o que tem a ver com a maior disponibilização e oferta dos nossos 'sites' e com o facto de aquilo que se comprava a nível internacional estar cada vez mais disponível a nível nacional", explicou.

Apesar de não existir uma contabilização total e integral, a ACEPI já tem registado no seu directório mais de 800 'sites' de vendas 'online'.

E quando não compram, os internautas tomam cada vez mais as suas decisões de compra na internet.

"Hoje, o processo de decisão é muito feito através da internet, já existem três milhões de portugueses a fazer isso, mas não compram necessariamente 'online'. No sector automóvel, todos os 'sites' têm configuradores e comparadores, de crédito do automóvel, e para saber quanto custa, mas depois compram o automóvel no 'stand'", exemplificou.

Por outro lado, a utilização do multibanco, enquanto rede de aquisição de produtos e serviços, é uma 'nuance' de Portugal, onde a taxa de penetração é a maior da Europa. Se se incluir o valor das operações de pagamentos em caixas multibanco, o valor do comércio electrónico total em Portugal em 2009 foi de 17,3 mil milhões de euros (11% do PIB).

Em 2015, o valor do comércio electrónico total em Portugal alcançará quase 20 mil milhões de euros, ou seja, um valor equivalente a 11,8% do PIB, excluindo as operações de pagamento de serviços em ATM.

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