Todos os anos surgem em Portugal sete mil novos casos de cancro do cólon, com uma taxa de mortalidade superior a 50%. Morrem 10 pessoas por dia. Os números fazem parte da campanha de sensibilização e prevenção da Europacolon Portugal.


"É uma doença que tem 90% de probabilidade de cura se for encontrada numa fase precoce", advertiu, ao JN, Vítor Neves, presidente da Associação Europacolon Portugal, salientando que o cancro do intestino demora "seis a oito anos a evoluir".

Daí que recomende que "a partir dos 50 anos, homens e mulheres devem fazer um rastreio". O mesmo conselho se aplica "se houver ligações hereditárias mesmo que não tenha aquela idade". Se assim for, garante: "Estaremos a contribuir para que a incidência seja menor".

A Europacolon Portugal tem andado a pressionar as autoridades de saúde nacionais para que se implemente um rastreio do cancro do intestino e que deve ser obrigatório a partir dos 50 anos de idade. "Há apenas um projecto-piloto na região centro, mas é obrigatório que se faça em todo o país. Ele está na agenda para 2011, mas também já estava para 2010".

Vítor Neves acredita que o investimento no rastreio "permitirá poupar milhões de euros em internamentos, tratamentos de quimioterapia e custos sociais dentro de três ou quatro anos. É uma opção que o governo tem de tomar".

Nas sessões que decorrem por todo o país, Vítor Neves explica os sintomas do cancro do cólon: "aparecimento de sangue nas fezes, dores abdominais, alterações dos hábitos intestinais, emagrecimento contínuo, cansaço". Mas ressalva que ter estes sintomas "não quer dizer que se tenha um cancro".

Quer dizer que a pessoa é "obrigada a ir ao médico de família". As causas até podem ser outras, mas "se for uma neoplasia no intestino ainda pode ir a tempo de ser tratado".

Para prevenir as doenças, as pessoas devem, em termos alimentares, preferir carnes brancas às carnes vermelhas, ingerir cinco doses de fruta e legumes todos os dias, preferir beber água e praticar exercício físico com regularidade.
Vítor Neves sublinha que "não há necessidade de ser fanáticos e deixar de comer aquilo de que gosta, mas deve-se diversificar para aumentar a protecção".

"O aparelho digestivo é como o motor de um automóvel. Se pusermos açúcar ou sal na gasolina ele vai durar menos tempo. O nosso estômago e o intestino são a mesma coisa", exemplifica.

A quem já tem cancro, Vítor Neves sugere "aumentar o autoconhecimento da doença", de modo a detectar as formas como podem sobreviver sem tanta necessidade de terceiros. E realça que a medicina tem evoluído muito, que há já formas médicas de estabilizar a doença durante vários anos.

A Europacolon Portugal - Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino, é uma associação sem fins lucrativos que existe há três anos e que tem sede no Porto. Dedica-se a fazer campanhas de sensibilização e prevenção em todo o país.

No sítio da internet http://www.europacolon.pt/ podem conhecer informação variada sobre a doença e testemunhos de pacientes, bem como possibilita a participação num fórum só para doentes colostomizados (que ficam privados de utilizar o intestino de forma completa).

Jornal de Notícias