A oposição xiita do Bahrein, representada por 18 dos 40 deputados do Parlamento, anunciou hoje ter suspendido a participação parlamentar devido à repressão das manifestações anti-governamentais, da qual resultaram dois mortos.

"O movimento al-Wefaq suspendeu a sua participação no Parlamento devido à reação selvática face às manifestações, que provocou dois mortos", declarou à France Presse Khalil Ibrahim al-Marzooq, deputado do al-Wefaq.

Dois manifestantes xiitas morreram no Bahrein, um na segunda-feira à noite e outro hoje quando participava no funeral do primeiro, devido a confrontos com as autoridades, informaram fontes da oposição e oficiais.

Os protestos anti-governamentais prosseguiam hoje naquele pequeno reino do Golfo Pérsico, onde a população é maioritariamente xiita.

As manifestações, designadamente em aldeias xiitas, começaram segunda-feira por iniciativa de cibernautas que apelaram no Facebook para se manifestarem para exigir reformas politicas e sociais, na sequência das revoltas populares na Tunísia e no Egito.

O ministério do Interior do Bahrein, única monarquia árabe do golfo de maioria xiita mas dirigida por uma dinastia sunita, confirmou num comunicado que o manifestante falecido segunda-feira tinha sucumbido "aos ferimentos" e indicou que seria aberta uma investigação para saber se as forças de segurança tinham "recorrido injustificadamente às armas".

Na segunda-feira, a polícia utilizou gás lacrimogéneo para dispersar algumas centenas de manifestantes em várias aldeias xiitas, designadamente em Manama.

Durante o funeral do manifestante, uma multidão concentrou-se à frente do hospital do centro de Manama para participar nas cerimónias e um homem foi morto por balas atiradas pelas forças de segurança, declarou um deputado da oposição do Bahrein.

As reivindicações dos manifestantes são "pacíficas, eles querem sobretudo um governo eleito e não pedem uma mudança do regime", afirmou um deputado do al-Wefaq, precisando que os manifestantes exigem que o governo resolva o problema do desemprego e aumente os salários.

Entre 1994 e 1999, o Bahreïn foi palco de incidentes violentos desencadeados por xiitas, dos quais resultaram cerca de 40 mortos.

Os xiitas no Bahrein consideram-se discriminados a vários níveis, designadamente ao nível do emprego e dos serviços sociais.

Jornal de Notícias