O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, acusou hoje o Governo de «afundar ainda mais o país» com as novas medidas de austeridade, e manifestou-se convicto que o PSD e o Presidente da República as apoiam.

Bernardino Soares considerou que as medidas hoje anunciadas pelo ministro das Finanças vão significar «a continuação da imposição de mais sacrifícios nas áreas sociais mais vulneráveis, nos salários e nas pensões».

Para o PCP, as novas medidas de consolidação orçamental vão «afundar ainda mais o país» e não vão resolver nenhum problema essencial, representando um «corte nos serviços públicos» que vai levar «à paralisia» e à «negação do direito à Educação e Saúde».

Questionado sobre se as medidas serão «a gota de água» que faltava para o PCP apresentar uma moção de censura, Bernardino Soares não respondeu directamente, afirmando que «os portugueses vão nos próximos dias e nas próximas semanas dar a resposta necessária à política» do Governo.

«De gota de água em gota de água já tínhamos transbordado muitos copos. O que é facto é que o Governo parece não desistir de aprofundar as desigualdades, desgraçar ainda mais o país e o PSD e a direita parecem também não desistir de apoiar estas medidas», afirmou.

Bernardino Soares disse que as medidas hoje anunciadas contarão com a contestação do PCP e afirmou que contam «com o apoio do PSD e do Presidente da República».

As medidas anunciadas por Teixeira dos Santos não vão «resolver nenhum problema, nem o contas públicas nem o da maior igualdade nem a questão do crescimento económico» e vão, ao contrário, «afundar ainda mais o país», defendeu.

De acordo com o ministro das Finanças, as medidas visam actualizar o Programa de Estabilidade e Crescimento em 2011, 2012 e 2013.

Segundo Teixeira dos Santos, com as medidas adicionais o Governo espera cumprir as metas do défice, cortando custos na ordem dos 2,4 por cento do PIB na despesa e 1,3 por cento de aumento da receita.

Lusa/SOL