Dezenas de pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade, depois de a polícia marroquina ter tentado entrar na sede de um partido de esquerda, onde se tinham refugiado depois de uma manifestação em Casablanca.

A manifestação, que decorreu sem incidentes e que foi organizada para reivindicar reformas políticas, foi dispersada à força pela polícia, e dezenas de pessoas procuraram refugiar-se na sede do Partido Socialista Unificado (PSU), da oposição de esquerda.

Os efectivos policiais tentaram entrar no edifício, mas não foram bem sucedidos graças à resistência dos manifestantes.

Testemunhas, entre as quais vários jornalistas, viram dezenas de pessoas serem feridas, algumas com gravidade devido à intervenção policial.

"Vi uma grávida e crianças serem barbaramente agredidas pela polícia. Nunca tinha visto tanta violência", disse Hassan Hamdani, jornalista do semanário independente marroquino Tel Quel, presente no local.

"Estávamos em plena reunião do Bureau Político e preparávamo-nos para divulgar um comunicado a saudar o discurso de quarta-feira (do rei Mohammed VI) quando as forças da ordem tentaram forçar a entrada", disse à agência AFP Mohammed Bouaziz, historiador e dirigente do PSU.

Mohammed Bouaziz acrescentou que a ordem para a intervenção da polícia veio do presidente da câmara de Casablanca, considerando que a decisão constitui um "acto dirigido contra Sua Majestade, que prometeu reforçar as liberdades individuais".

Mohammed VI anunciou quarta-feira importantes reformas democráticas, designadamente o reforço dos poderes do primeiro-ministro e "ampliação das liberdades individuais".

Os anúncios do rei foram feitos no seu primeiro discurso à nação depois das manifestações de 20 de Fevereiro em Marrocos, em que se reclamou mais democracia e menos corrupção, no contexto da contestação generalizada no mundo árabe.

Jornal de Notícias