O cabeça de lista do PS por Lisboa, Ferro Rodrigues, defendeu hoje que o PSD cumpriu a «ameaça» de fazer um programa eleitoral «de radicalização do acordo com a ?troika?», para desmantelar o Estado Social.

«Verifiquei que foi cumprida a ameaça. Tinha sido dito que seria um programa de radicalização do acordo com a troika, foi cumprida essa ameaça», afirmou Ferro Rodrigues aos jornalistas.

À entrada para um debate no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, Ferro Rodrigues apelidou ainda de «profundamente anti-democrática» a forma como os sociais-democratas se estão a posicionar perante os eleitores, considerando que «os portugueses não estão dispostos a ser condicionados».

O cabeça de lista socialista por Lisboa e antigo líder do PS considerou que se trata de «um programa de uma direita radical como nunca houve em Portugal», que «procura atingir fortemente os pilares do Estado social».

Segundo Ferro Rodrigues, o programa apresentado no domingo atinge «todas as áreas da nova geração de políticas sociais, lançadas em meados dos anos 1990».

O candidato, que, enquanto governante nos executivos de António Guterres, foi responsável por algumas dessas medidas, afirma que os sociais-democratas atacam desde a segurança social e as suas contribuições, ao rendimento social de inserção, o Serviço Nacional de Saúde, à escola pública.

«Se o PSD pudesse pôr em pratica aquele programa, haveria durante quatro anos uma forte tentativa de desmantelamento do Estado Social»,

Ferro Rodrigues considerou, por outro lado, que o PSD está a colocar-se perante as eleições legislativas de 5 de Junho de uma forma «profundamente anti-democrática».

«A tentativa de criar a ideia de que com o Partido Socialista não há nenhuma possibilidade de coligação procura evitar o voto no PS, mas vai ter como efeito consequências exactamente ao contrário, porque os portugueses não estão dispostos a ser condicionados nas suas votações e aspirações e debate entre os programas por posições de radicais de direita como esse», defendeu.

Ferro Rodrigues reagia, assim, ao pedido do líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, de uma «maioria clara» saída das próximas eleições, que «não pode ficar dependente de nenhum pau-de-cabeleira».

Lusa/SOL