As negociações entre os grupos palestinianos do Hamas e do Fatah foram interrompidas esta terça-feira devido a divergências num dos pontos essenciais para a formação do governo de coligação: quem assumirá o cargo de primeiro-ministro.

As conversas, que decorreram no Cairo, capital egípcia, vão ser retomadas na próxima terça-feira, já com a presença dos dois máximos representantes de ambos os grupos. Como tal, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, e o presidente do Hamas, Khaled Mashaal, vão estar presentes nas negociações.

As opiniões contrastantes dos líderes coincidem com as informações contraditórias que têm sido veiculadas sobre as conversações que esta terça-feira foram adiadas.

Um porta-voz do Hamas garantiu que ambas as partes concordaram que o cargo de primeiro-ministro não seria ocupado por Salam Fayyad, presidente da Autoridade Nacional Palestiniana apoiado Ocidente mas não reconhecido pelo Conselho Legislativo da Palestina.

Mas a informação avançada pelo Hamas foi refutada por Azzam al-Ahmad, um negociador do Fatah que esteve presente nas conversações e que negou o alegado a alegada concordância entre os grupos palestinianos.

Para o Hamas, Salam Fayyad é encarado como o aliado do Ocidente, enquanto que a visão do Fatah encara que a presença do economista palestiniano no executivo de coligação como a melhor forma de garantir, perante o olhar da comunidade internacional, que os pacotes de ajuda financeira não serão direccionados para o Hamas.

O Hamas e o Fatah têm perpetuado a violência em território palestiniano desde 2006, sendo vários os episódios de ataques bombistas e bombardeamentos que ocorreram tanto na Faixa de Gaza como na Cisjordânia. As várias tentativas de negociar a paz nos últimos anos terminaram sempre no fracasso.

SOL/AP