Bagão Félix compara dívida da Madeira à duplicação de défice em 2009

O ex-ministro Bagão Félix considerou quinta-feira que a omissão de dívidas públicas na Madeira e a duplicação do défice entre Setembro de 2009, véspera de eleições legislativas, e Dezembro desse ano «são questões relativamente semelhantes».

O conselheiro de Estado esteve quinta-feira no Clube dos Pensadores, em Gaia, e a omissão de dívidas públicas na Madeira foi levantada quer pelo público, durante o debate, quer pelos jornalistas, no final.

Bagão Félix recordou que, em «Setembro de 2009, em véspera das eleições», o Governo de José Sócrates apontava o défice para os cinco por cento.

«Eu até fui a uma das televisões fazer umas contas e chegava a nove por cento, com os números que tinha em casa, e afinal ficou em 10,1 por cento.

Ou seja, como é que de Setembro para Dezembro duplicamos o défice?», questionou.

É por isso que, na opinião de Bagão Félix, «esta questão [da Madeira] deve ser posta no mesmo plano até porque se estava também, curiosamente, numa véspera de realização de eleições».

Questionado pelos jornalistas sobre esta comparação, o ex-ministro respondeu que «as questões são relativamente semelhantes».

«Em 2009 estava-se a falar de um défice de cinco por cento quando toda a gente sabia que ele ia ser de nove ou dez.

Simplesmente aí foi não uma desorçamentação, mas o passar para o fim, para o depois das eleições, o conhecimento dessa verdade», afirmou.

Bagão Félix ressalva, no entanto, que «apesar de tudo é um pouco diferente».

«Em todo o caso, uma das situações, seja ela qual for, não justifica a outra e portanto qualquer uma das duas tem o seu sentido inadequado», condenou.

Para o conselheiro de Estado, a situação na Madeira «é uma anomalia e uma irregularidade grave», considerando que não é só culpa do Governo Regional, mas é também «a falência da capacidade de controlo e fiscalização do Estado».

«Hoje li num jornal que grande parte destas questões terão sido descobertas pelo facto da troika estar neste momento nos bancos e nos bancos é que viram que havia lá situações de créditos desta natureza.

Provavelmente, senão fosse a troika, não se tinha visto, o que mostra bem que o Estado está desarmado», alertou.

Bagão Félix observou por isso que «é uma lição para a Madeira, mas é também uma lição para um Estado».

«O Estado português quer fazer tudo e às vezes faz tudo mal e às vezes deixa-se levar por omissões», sublinhou.

O economista explicou ainda o que representam estes números.

«Estes cerca de quase dois mil milhões que até agora foram detectados de situações que não estavam contabilizadas num perímetro orçamental correspondem a cerca de 35 por cento do PIB da Madeira, no fundo, o que está em causa é mais de um terço do PIB da Madeira», disse.


Lusa/SOL