Membros do partido de Berlusconi entre os nomes divulgados
Blog divulga lista de políticos italianos homossexuais

Uma nova polémica está a abalar a Itália e a classe política. Em causa está a publicação num blog, na passada sexta-feira, de uma lista de dez políticos alegadamente homossexuais e que mantiveram em público atitudes homofóbicas.

Entre os dez nomes presentes no blog (listaouting.wordpress.com), encontram-se três membros do governo conservador de Berlusconi, incluindo um ministro, assim como um presidente regional do partido do chefe do Executivo, o Povo da Liberdade (PDL). Todos os políticos têm em comum o facto de serem casados e de terem filhos.

A divulgação foi feita por um grupo activista anónimo homossexual e heterossexual, que dizem ter como fonte de inspiração de Aurelio Mancuso, presidente da associação de direitos civis 'Equality Italia'.

Porém, o próprio Mancuso, um dos activistas homossexuais mais populares da Itália, tomou distância da iniciativa, também reprovada pela classe política e pelos grupos que defendem os direitos dos gays no país.

"O que me surpreendeu foi que alguns dos presentes na lista reagiram de modo muito positivo, o que quer dizer que tiveram uma reacção melhor do que a dos líderes dos movimentos gays. Há uma questão central: é uma ofensa dizer a alguém que é gay?", questionou Mancuso à imprensa italiana.

A resposta do activista fazia referência à rejeição manifestada pela principal associação LGTB da Itália, Arcigay, que reprovou a lista por não haver "nenhum dossiê e nenhuma fonte verificada".

Anna Paola Concia, autora da proposta de lei contra a homofobia, que foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em Julho, também se posicionou contra a iniciativa do blog.

"Fazer alguém assumir-se homossexual é uma prática extrema e violenta que não faz parte da minha cultura política. Mas essa atitude é fruto de desespero dos cidadãos homossexuais e transexuais que são vitimas de discriminações inaceitáveis", comentou Anna Paola, que é lésbica assumida e integrante do opositor Partido Democrata (PD).

Mara Carfagna, ministra da Igualdade e amiga de alguns dos nomes apresentados na lista, fez questão de também ela mostrar a sua indignação: "A lista é um disparate cínico e violento, uma difamação gratuita que não colabora com a causa da luta contra a homofobia".


C.da Manha