O que ainda não está claro é o que fazer com os mapas genéticos gerados pela máquina. [Imagem: Life Technologies]


Genoma por mil dólares
Aquilo que era considerado um marco na história da ciência parece ter sido atingido: o mapeamento de um genoma humano por US$1 mil.
Hoje, o custo de um sequenciamento completo do DNA varia entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, mas já foi muito mais caro.
Enquanto a tecnologia emergente dos nanoporos já permita que se fale em US$100 para o mapeamento de todos os genes, o primeiro sequenciamento feito pelo Projeto Genoma Humano custou US$3 bilhões.
Agora, a empresa norte-americana Life Technologies colocou no mercado um equipamento que, segundo seus cálculos, permitirá que os laboratórios sequenciem o genoma de qualquer pessoa, cobrando US$1.000,00 por genoma, e ainda lucrem com isso.
O equipamento, chamado Ion Proton, custa US$ 150 mil, enquanto a geração anterior de sequenciadores custava entre US$ 500 mil e US$ 750 mil.
O aparelho, de tamanho semelhante a uma multifuncional de escritório, utiliza um chip de baixo custo, e leva 24 horas para fazer o trabalho total de sequenciamento de um genoma humano, um processo que leva semanas com os equipamentos atualmente no mercado.
Bioética
O que ainda não está claro é o que fazer com os mapas genéticos gerados pela máquina.
Quando o objetivo de sequenciar o genoma por US$1.000 foi estabelecido, ainda se acreditava que um mapa genético teria as respostas para todas as doenças humanas - e, sobretudo, para a cura dessas doenças.
Mas logo se percebeu que essa era uma visão ingênua, e que o DNA não tem todas as respostas - na verdade, o sequenciamento genético está ajudando os cientistas muito mais a fazerem novas perguntas do que oferecer alguma resposta.
As promessas de uma medicina personalizada, em que cada pessoa receberia o medicamento adequado ao seu genoma, em vez de se aproximar da realidade, está seguindo o caminho inverso, e cada vez mais migra para o reino da ficção.
Em seu lugar, surgem as preocupações éticas, como a entrega para doação de bebês que apresentem algum "desvio genético" indesejável, como a propensão para alguma doença.
Ou a exigência de genomas para a seleção de clientes de seguradoras e planos de saúde ou de candidatos a emprego.
A preocupação é ainda maior pela disseminação da lenda de que os genes responderiam a todas as questões de uma forma direta e precisa.

Embora os interesses econômicos por vezes falem mais alto, a ciência já demonstrou que não são apenas os nossos genes que nos tornam únicos - por exemplo, ao menos um gene tem efeitos opostos em homens e mulheres e o mesmo gene que mata uma pessoa pode não afetar outra..



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