Crise no Zimbabué afecta produção de chá em Moçambique


Cerca de 290 toneladas de chá no distrito de Mossurize, em Manica, centro de Moçambique, estão abandonadas, porque as firmas de processamento do Zimbabué, o único mercado, não dão vazão à produção, disse à Lusa fonte governamental.

Em declarações à Lusa, Francisco Navalha, director dos serviços distritais de actividades económicas de Mossurize, disse que a produção, numa fase estacionária, não tem tido colocação, devido à paralisação das maiores indústrias de processamento naquele país vizinho.

«O Zimbabué não consegue dar vazão à produção de Mossurize porque atravessa uma situação crítica economicamente, com muitas fábricas paradas», disse Navalha, que reconheceu a desistência de muitos produtores nacionais que se dedicavam àquela cultura.

Dos 250 agricultores que anteriormente se dedicavam à produção de chá em Mossurize, a escassos quilómetros do Zimbabué, apenas 50 continuam com a lavoura, mas lamentam o «rendimento desencorajador».

Os camponeses acusam as firmas, que absorvem menos de um terço da produção, de estarem a praticar preços irrisórios, por falta de concorrência de mercado.

O preço de compra baixou dos sete meticais (0.18 euros) por quilo para dois meticais (0.05 euros).

Mesmo assim, várias vezes a produção é baldeada por falta de compradores.

Perante a situação o governo mobilizou parceiros junto da ADEM (Agência de Desenvolvimento de Manica) para a implantação de uma fábrica e refinaria de chá no distrito de Mossurize, que seria «a salvação dos camponeses», mas as obras estão paralisadas, por falta de fundos, há dois anos.

«Logo que as empresas South Down e Tanganda Tea ligadas ao processamento de chá no Zimbabué encerraram, vários campos de produção em Mossurize ficaram abandonados e os camponeses desistiram.

Com a paralisação das obras da fábrica de Mossurize, o sonho está longe da realidade», disse Jeremias Thube, agricultor da região.

A governadora de Manica, Ana Comoana, disse que o seu executivo tem estado a apelar aos proprietários da firma, agora parada, para buscarem financiamento, enquanto se buscam outras iniciativas para «acordar» as infra-estruturas.

Mossurize tem grande potencial na produção de chá e algodão, havendo uma indústria de processamento deste último em fase de implantação na região.


Lusa/SOL