BCE deverá manter taxa directora




O Banco Central Europeu (BCE) irá hoje manter a taxa de juro directora da zona euro em 1 por cento, e não deverá anunciar novos leilões de crédito, segundo economistas consultados pela agência Lusa.

«Presumo que não haja alterações da taxa. A esse respeito, não me parece que seja uma reunião [do conselho de governadores do BCE] que traga alterações ao quadro que existe actualmente», disse à Lusa Cristina Casalinho, economista-chefe do banco BPI.

Também Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio Geral, disse esperar que haja uma manutenção da taxa nos actuais níveis. «Do nosso ponto de vista, só um manifesto agravamento das perspectivas de crescimento [da zona euro] poderá levar o BCE a descer as taxas abaixo de 1 por cento», afirmou.

O banco de Frankfurt optou por cortes de 25 pontos-base nas duas últimas reuniões do conselho de governadores do BCE em 2011 - as primeiras presididas pelo italiano Mario Draghi, que sucedeu a Jean-Claude Trichet na liderança da instituição. A taxa de refinanciamento caiu assim para o nível mínimo na história da moeda única, onde se manteve nos meses seguintes.

«Face aos leilões efectuados em Dezembro e Fevereiro, face à evolução das taxas de juro e face à evolução do crédito no sistema financeiro europeu, não me parece que agora se justifique uma alteração, tanto mais que parte dessas decisões ainda não correram o seu curso totalmente, ainda falta ver os impactos que vão produzir», afirma Casalinho.

A 21 de Dezembro e 29 de Fevereiro, o BCE realizou duas operações de cedência de liquidez (créditos a um prazo de três anos) que movimentaram um bilião (um milhão de milhões) de euros. Na operação da semana passada, 800 bancos receberam crédito por este mecanismo.

«As injecções de liquidez já proporcionaram uma queda significativa das taxas de curto prazo - as taxas Euribor caíram muito - mas também nas taxas de médio e longo prazo, particularmente nos países que ainda não estão intervencionados e cujos custos de financiamento também caíram, como é o caso da Itália», acrescenta a economista-chefe do BPI.

Perante a relativa estabilização da zona euro, e com alguns dos membros mais conservadores do conselho de governadores a manifestar preocupações com a inflação, o BCE tem sinalizado que a operação de Fevereiro foi a última do género. Os mercados irão mesmo assim seguir atentamente as declarações de Mario Draghi para avaliar a probabilidade de uma terceira operação de cedência de liquidez.

«Não esperamos que o BCE anuncie qualquer nova operação», afirma Rui Serra. «É necessário avaliar os efeitos destas operações sobre a concessão de crédito e é importante não gastar de imediato todas as munições».

O conselho de governadores do BCE anuncia as suas decisões de política monetária às 12h45 (hora de Lisboa).


Lusa/SOL