'A falta de lealdade [de Sócrates] ficará na história da democracia'




Com a herança de José Sócrates a dominar ainda o PS e o debate político, Cavaco Silva tenta pôr um ponto final na história do socratismo no seu prefácio do livro Roteiros VI, que marca o primeiro ano do segundo mandato em Belém.

São 25 páginas explosivas onde não consta uma linha sobre o Governo de Pedro Passos Coelho.

Num texto muito personalizado e repleto de adjectivos, o Presidente da República não poupa o ex-primeiro-ministro.

Acusa-o de «ignorar de forma deliberada» os seus alertas «públicos e privados» sobre a gravidade da situação, de «dissimular» a informação, de se mover por «interesses de ocasião» aliados a «uma forma obstinada de acção política» e de demonstrar uma «falta de atitude de humildade política».

O que, sustenta Cavaco Silva, terá ditado o fim do Governo minoritário do PS.

Mas é a propósito do PEC IV que o Presidente dirige a mais dura acusação a Sócrates.

«O anúncio do PEC IV apanhou-me de surpresa», recorda Cavaco, sublinhando que o primeiro-ministro não informou o PR e que essa atitude se «tratou de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia».

Nesse capítulo, o Presidente da República aponta o dedo a Sócrates por ter avançado «isoladamente», ignorando os partidos antes de anunciar publicamente o novo pacote de medidas de austeridade (não faz, porém, qualquer alusão à audiência prévia que Sócrates manteve com Passos Coelho).

E faz o contraponto com o que aconteceu meses antes, no momento da aprovação do Orçamento do Estado para 2011, em que se empenhou activamente para que o Governo chegasse a acordo com o PSD.

Tudo porque, assegura, nessa altura a atitude do Governo foi completamente diferente: «Logo a seguir ao Verão, o primeiro-ministro começou a informar-me, com algum detalhe, sobre as intenções do Governo e sobre as dificuldades que poderiam surgir nas negociações, em particular com o PSD».


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