O oboé é um instrumento da família dos sopros de madeira. O seu tubo tem um formato cónico, de 57 cm, feito geralmente em madeira (ébano). É construído em três partes, sendo a última um pequeno pavilhão pouco pronunciado. A embocadura é uma palheta dupla; são duas canas encostadas uma à outra e fixadas no extremo inferior a uma peça de metal (tudel). O oboísta prende a palheta nos lábios e soprando faz com que as duas canas vibrem, batendo uma na outra, produzindo o som.

Tem uma extensão de duas oitavas e uma sexta (si b2 a sol5) e é munido de um sistema de chaves Böhm.

O oboé apresenta dificuldades próprias em relação às outras madeiras: além do problema que a obtenção das palhetas constitui, convém referir que a simples mudança das condições atmosféricas ou da temperatura o afecta; em relação à respiração, o oboísta luta não com a falta, mas com o excesso de ar (a quantidade de ar que passa entre as canas é muito pequena, e por isso o instrumentista tem necessidade de expelir o ar antes de inspirar de novo).


Breve história

Os instrumentos de palheta dupla foram introduzidos na Europa durante o séc. XII, provenientes da Ásia. As charamelas (como passaram a chamar-se), tornaram-se os principais instrumentos de palheta dupla até ao séc. XVII. A transformação da charamela em oboé dá-se no séc. XVII, sendo este provavelmente inventado por Jean Hotterre e Michel Philidor II, na corte francesa em 1657. O oboé é nesse mesmo ano tocado pela primeira vez por Jean Hotterre e os seus dois filhos em L’Amour Malade, de Lully. O oboé expande-se rapidamente na Europa e no início do séc. XVIII qualquer banda ou orquestra tinha o seu naipe de oboés. Nos primeiros tempos o oboé era usado dobrando os violinos, para produzir uma articulação clara, mas em breve se tornou um instrumento solista, com o aparecimento de oboístas virtuosos, como Sammartini, Bezozi, Fischer e os irmãos Plá.

A mecanização do séc. XIX aplicada às madeiras e aos metais repercute-se naturalmente também no oboé. O oboísta alemão Joseph Selner concebeu o oboé de treze chaves. Os construtores alemães lideravam a construção de oboés. Na segunda década do séc. XIX, começa a definir-se uma tendência para um oboé de características diferentes das do alemão: o oboé francês.


Familia do oboé

Oboé Barroco – tem uma sonoridade bastante diferente da do oboé actual. Actualmente volta a haver imenso interesse no oboé barroco para interpretação de música da época, devido à sua extraordinária sonoridade.

Oboé d’amor – é um pouco maior, provavelmente criado em França por volta de 1720. É um instrumento transpositor em Lá. Era um dos instrumentos favoritos de Bach, assim como dos seus contemporâneos alemães, mas que perdeu popularidade durante o Classicismo e o Romantismo.

Corne inglês – é semelhante ao oboé de amor, mas maior. É um instrumento transpositor em Fá. Originalmente o corne inglês tinha um corpo dobrado em ângulo e eram por isso chamados de corps anglé ou cor anglé e a partir daí o nome foi deturpado para cor anglais. O antecessor directo do corne inglês era o oboe da caccia, muito usado no período Barroco, nomeadamente por Bach.

Oboé baixo – tem o aspecto de um grande corne inglês, mas o tudel apresenta uma curvatura para a frente e só depois curva para trás em direcção ao instrumentista. Soa uma oitava abaixo do oboé.

Heckelfone – enquanto o oboé baixo foi feito por um construtor de oboés e se assemelha a um corne inglês um pouco maior, o heckelfone assemelha-se mais ao fagote, o que se compreende, porque o seu construtor Wilhelm Heckel, era essencialmente construtor de fagotes.

Musette – instrumento semelhante a um pequeno oboé em Sol, uma quinta perfeita acima do oboé.




Fonte: emnsc