GNR vai a tribunal por alegado envolvimento em importação de cocaína e armas

Um militar da GNR de Cucujães, Oliveira de Azeméis, vai ser julgado a partir de quinta-feira, no tribunal de Valongo, por alegado coenvolvimento na introdução em Portugal de 52 quilos de cocaína e de algum armamento.

Fonte judicial disse que o processo tem um familiar do guarda como coarguido e explicou que ambos estão acusados pela prática dos crimes de tráfico agravado de estupefacientes e tráfico de armas.
A investigação do caso esteve a cargo da Directoria do Norte da Polícia Judiciária que, em Julho do ano passado, deteve o familiar do militar e apreendeu 52 quilos de cocaína.
A droga entrou em Portugal via porto de Leixões, alegadamente proveniente do Brasil e encontrava-se dissimulada no interior de contentores com materiais cerâmicos, sendo apreendida pela PJ já depois da operação de desalfandegamento.
Na altura, a PJ apreendeu ainda uma pistola UZI, de fabrico israelita, e outra Glock, igual às utilizadas pelas forças policiais, além de munições.
Tratou-se, conforme referiu então um responsável policial, da maior apreensão de droga realizada pela PJ/Norte nos primeiros sete meses de 2011.
O responsável policial explicou à Lusa que os 52 quilos de cocaína dariam para 520 mil doses, em estado puro, ou 2,6 milhões de doses, já traçada, podendo valer, consoante as circunstâncias, entre 2,5 e cinco milhões de euros.
Já em 5 de Janeiro deste ano, a PJ realizou uma busca no posto da GNR de Cucujães, constituindo arguido um dos militares ali em serviço, por suspeita de envolvimento naqueles crimes.
A GNR confirmou na altura a detenção, «por suspeita de envolvimento de um militar daquele posto em actos ilícitos de natureza criminal», sem especificar quais.
Limitou-se, então, a «repudiar veementemente todo o tipo de comportamentos ilegais» no seio da corporação.
No âmbito da suposta rede de importação de drogas e armas, o militar da GNR estaria incumbido de realizar os pagamentos e, segundo o processo, estará confirmado que transferiu mais de 11 mil euros para a conta de uma sociedade do Brasil.
O julgamento decorre no tribunal de Valongo porque a droga e o pequeno arsenal foram apreendidos em Alfena, uma freguesia daquele concelho.

Lusa/SOL